VATICANO – O Papa Leão XIV pediu o abandono das polarizações e a construção de pontes tanto dentro da Igreja quanto no cenário internacional. Em entrevista concedida à jornalista Elise Allen, do portal Crux, o pontífice criticou a insensibilidade diante do sofrimento em Gaza e argumentou que, no momento, a Santa Sé não considera apropriada nenhuma declaração oficial sobre o uso do termo genocídio na região. Leão XIV observou que grupos de direitos humanos em Israel têm levantado o debate e ressaltou a necessidade de cautela técnica antes de qualquer posicionamento.
O Papa abordou também a relação diplomática com a China, destacando continuidade ao diálogo iniciado por seus antecessores. Ele reconheceu os desafios enfrentados pelos católicos chineses, que lidam com restrições para vivenciar sua fé livremente, sem que a missão da Igreja entre em conflito com as questões políticas nacionais. Leão XIV considerou o cenário complexo, mas acredita que é possível avançar com respeito à cultura e às autoridades locais.
Sobre seu país natal, os Estados Unidos, Leão XIV afirmou não pretender interferir na política interna, mas se mostrou disposto a levantar questões urgentes junto à liderança americana, inclusive com o presidente Trump. O Papa ponderou que sua nacionalidade pode tornar mais fácil o diálogo com o episcopado estadunidense, diminuindo barreiras que existiam com Francisco, e comentou o distanciamento político entre membros da própria família.
A crise dos abusos sexuais dentro da Igreja foi tratada pelo pontífice como um problema persistente, diante do qual pede respeito às vítimas e diz que estatísticas apontam a veracidade na maioria dos relatos. Para Leão XIV, é preciso garantir a presunção de inocência para acusados e proteger direitos, mas sem minimizar o sofrimento das vítimas. O Papa enfatizou que o tema não pode dominar a pauta do Vaticano, já que a grande maioria dos religiosos não está envolvida em práticas abusivas.
A respeito da acolhida à comunidade LGBTQ+, Leão XIV reiterou abertura e respeito, mas afirmou que não pretende alterar a doutrina sobre sexualidade e matrimônio. O pontífice mencionou o documento Fiducia supplicans, defendendo que todos devem ser abençoados sem ritualizações, sendo todos filhos de Deus. Quanto à ordenação feminina, o Papa afirmou que vai manter a nomeação de mulheres para funções importantes, seguindo os passos de Francisco, mas sem modificar o magistério sobre o tema.
Leão XIV abordou ainda questões financeiras da Santa Sé, reconheceu avanços durante a gestão Francisco e indicou preocupação com decisões equivocadas do passado, pedindo cautela na administração dos recursos. Sobre reformas na Cúria Romana, sinalizou mudanças no modo de operar dos dicastérios para promover diálogo e evitar compartimentalizações prejudiciais à governança.
O Papa também analisou os problemas originados pelo uso político da liturgia tridentina e afirmou que buscará resolver o debate com diálogo. Por fim, alertou para os riscos das fake news e do avanço da inteligência artificial, defendendo intervenção da Igreja contra a desumanização causada pelo uso indiscriminado de novas tecnologias e rejeitando a ideia de representação virtual do papado.
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