MUNDO – Uma mãe relatou sentir culpa após descobrir que o sêmen usado em inseminação artificial continha mutação genética ligada a alto risco de câncer, em caso associado a um banco europeu de sêmen que distribuiu material com alteração no gene TP53 por cerca de 15 anos. A mulher realizou o procedimento em clínica na Bélgica e só soube do problema anos depois, quando recebeu comunicação de que o doador, identificado pelo código 7069, havia sido banido após identificação da mutação.
Testes genéticos confirmaram que a filha dessa mãe, hoje com 14 anos, herdou a alteração, associada à síndrome de Li-Fraumeni, uma das predisposições hereditárias mais graves ao câncer, com risco elevado de tumores na infância e ao longo da vida. Relatos indicam que ao menos 197 crianças podem ter sido geradas a partir do mesmo doador, com casos de câncer precoce e tumores múltiplos em alguns pacientes. Médicos recomendam acompanhamento intensivo com exames periódicos, como ressonância magnética, ultrassom e avaliações clínicas frequentes para detecção precoce de tumores.
Parte das famílias afirma que recebeu aviso com atraso ou tomou conhecimento por meio de outras mães na mesma situação, o que gerou críticas a clínicas e ao banco de sêmen. O Banco Europeu de Sêmen declarou, em nota, que seguiu protocolos vigentes à época e informou autoridades e unidades de reprodução assistida conforme exigido pela legislação. Especialistas defendem criação de registro internacional de doadores e limitação global do número de crianças geradas por cada doador para reduzir impacto de casos semelhantes no futuro.





