Líderes de esquema de fraude da meia-passagem são presos em Manaus

O golpe foi detectado em dezembro de 2025, conforme denúncia apresentada pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram), que apontou aumento atípico de inscrições vinculadas a escolas suspeitas.

MANAUS – Líderes de um grupo criminoso suspeito de fraudar o benefício da meia-passagem no transporte coletivo de Manaus foram presos durante operação da Polícia Civil do Amazonas, na manhã desta quinta-feira (15). A ação, batizada de Operação Meia Verdade, cumpriu mandados de prisão e de busca e apreensão em vários bairros da capital, após a identificação de um esquema que utilizava cadastros falsos de estudantes para liberar cartões de meia-passagem a pessoas sem direito ao benefício. O golpe foi detectado em dezembro de 2025, conforme denúncia apresentada pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram), que apontou aumento atípico de inscrições vinculadas a escolas suspeitas.

Ao todo, quatro pessoas foram presas temporariamente: dois homens, de 32 e 41 anos, e duas mulheres, de 28 e 29 anos, apontados como principais articuladores do esquema. A investigação indica que o grupo usava redes sociais, plataformas de anúncio e perfis que se apresentavam como instituições de ensino para oferecer “facilitação” de meia-passagem, mediante pagamento, a interessados que não se enquadravam como estudantes regulares. Os suspeitos responderão por associação criminosa, estelionato e inserção de dados falsos em sistema de informação e permanecem à disposição da Justiça.

O delegado Charles Araújo, responsável pelo Núcleo de Repressão a Roubos no Transporte Coletivo e Rotas do Polo Industrial de Manaus (Nurrc), informou que o prejuízo estimado chega a R$ 3 milhões com o comércio ilegal da meia-passagem. Segundo ele, a fraude ocorria na etapa inicial de cadastro, quando dados de supostos estudantes eram inseridos no sistema público com vínculos a escolas fictícias ou de fachada, o que permitia a emissão de cartões sem que os usuários tivessem direito ao subsídio. O Sinetram relatou ainda impacto de até R$ 6 milhões em subsídios pagos pelo poder público, custo que recai sobre toda a população que utiliza o sistema de transporte.

Além dos presos, pelo menos duas pessoas seguem foragidas, entre elas um suspeito identificado como Wallace Avelar Rodrigues, que teve o nome divulgado pela Polícia Civil. A corporação orienta que qualquer informação sobre o paradeiro dos procurados seja repassada pelos canais oficiais, como os números 197 e (92) 3667-7575 da PC-AM ou o 181 da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM). A investigação pode alcançar ainda instituições reais que, eventualmente, façam uso indevido do sistema de cadastro de estudantes para obtenção irregular da meia-passagem.

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