AMAZONAS – A Polícia Federal deflagrou nova etapa de investigação contra o tráfico de drogas no Amazonas, com foco na estrutura econômica de um grupo suspeito de lavar dinheiro por meio de empresas de fachada e uso de rotas fluviais no interior do estado. A ação, batizada de Operação Ruptura, ocorre nesta terça-feira (20) como desdobramento da Operação Linhagem e busca atingir bens, logística financeira e responsáveis por movimentar recursos do crime em municípios do interior e na capital. Foram cumpridos mandados judiciais de prisão e de busca em endereços ligados aos investigados, com apreensão de documentos, equipamentos e bloqueio de valores.
A investigação aponta que o grupo atua no tráfico de cocaína e maconha do tipo skunk em áreas do Alto Solimões, com ramificações em Santo Antônio do Içá, Tonantins e Manaus. Os suspeitos usam rios da região como principais rotas de escoamento da droga, com apoio de estruturas locais de apoio logístico e de mecanismos de cooptação regional. O esquema envolve negociação com fornecedores, transporte das cargas e posterior lavagem de recursos por meio de empresas registradas formalmente, mas utilizadas apenas para dar aparência de legalidade ao dinheiro obtido com o tráfico.
Conforme a Polícia Federal, a Operação Ruptura teve base em elementos reunidos na Operação Linhagem, iniciada em 2023, que já havia identificado uma ramificação autônoma da organização criminosa. Essa célula concentra a parte financeira do esquema, com funções divididas entre integrantes responsáveis por negociar entorpecentes, coordenar logística e abastecer pontos de distribuição. A apuração indica ainda que o grupo utilizava empresas de fachada para emitir notas, registrar movimentações fictícias e ocultar a origem ilícita dos recursos.
Na fase desta terça-feira, a PF cumpriu quatro mandados de prisão preventiva e cinco de busca e apreensão em endereços residenciais e comerciais ligados aos suspeitos. As ordens partiram da Justiça, após representação da autoridade policial e manifestação do Ministério Público. Durante as diligências, foram apreendidos aparelhos eletrônicos, mídias digitais, documentos e outros materiais que serão submetidos à perícia para rastrear transações, identificar contatos e ampliar o mapeamento da rede.
A Polícia Federal também executou medidas de sequestro de bens e bloqueio de valores vinculados ao grupo investigado. Entre os alvos estão imóveis, veículos e recursos financeiros mantidos em contas bancárias, que somam mais de R$ 220 milhões, conforme os dados divulgados até o momento. O objetivo é impedir que a organização continue a utilizar o patrimônio para sustentar atividades criminosas, reinvestir em novas operações ilícitas ou financiar outras estruturas ligadas ao tráfico.
Os nomes dos investigados não foram divulgados, em razão do andamento da investigação e do sigilo de parte das decisões judiciais. As funções desempenhadas por cada integrante, contudo, foram descritas de forma geral pela PF, com menção a papéis ligados à coordenação de logística, ao fornecimento de drogas e à gestão da lavagem de dinheiro. A corporação informou que as apurações seguem em curso e que novas etapas podem ocorrer para alcançar outros envolvidos ainda não alvo de mandados.
A estratégia de atingir a base econômica dos grupos de tráfico integra uma linha recente de atuação, que combina prisão de integrantes armados com bloqueio de recursos usados para manter a estrutura criminosa. Essa abordagem busca reduzir a capacidade de financiamento de compra de drogas, armas, pagamento de comparsas e ampliação de redes de influência em regiões estratégicas. No Amazonas, essa política também se relaciona com outras ações de repressão a crimes como garimpo ilegal e desvio de recursos, que utilizam mecanismos semelhantes de ocultação de valores e uso de empresas de fachada.





