MANAUS – Novos registros feitos por moradores mostram o avanço de uma cratera no conjunto Canaranas, na zona Norte de Manaus, em área já marcada pela morte da líder comunitária Sammya Maciel, de 45 anos, em 19 de março de 2025. As imagens mais recentes, feitas na rua Ladário, exibem grande volume de água descendo pelo barranco e a formação de uma espécie de “cachoeira” dentro da estrutura de esgoto, o que evidencia intensificação do processo erosivo e risco para casas próximas.
Moradores relatam que o buraco, aberto pela força das chuvas, continua aumentando e avança na direção de imóveis do conjunto. Em vídeos divulgados nas redes sociais, é possível ver parte do asfalto cedendo, o poste de energia inclinado e o fluxo de água ampliando a cratera a cada chuva forte. Há medo de novos deslizamentos em áreas que já passaram por interdições e remoções temporárias após a tragédia de 2025.
O mesmo processo erosivo já havia provocado, em 19 de março de 2025, um deslizamento na rua da Paz, na comunidade Fazendinha, região ligada ao Canaranas, onde Sammya Maciel morreu soterrada ao tentar ajudar vizinhos atingidos. Na ocasião, nove casas foram destruídas, dez famílias ficaram desabrigadas e cinco pessoas ficaram feridas, o que levou à retirada de moradores da área de risco e à adoção de auxílio-aluguel emergencial pelo poder público.
Segundo relatos de moradores citados nas publicações, o solo voltou a ceder em diferentes pontos ao longo de 2025 e 2026, com o barranco se deslocando em direção a novas residências. Os relatos incluem preocupação com rachaduras em paredes, instabilidade de muros e possibilidade de desabamento em cadeia, caso a contenção definitiva não seja executada. As famílias afirmam conviver com medo constante e cobram obras de drenagem e contenção de encosta.
A Defesa Civil Municipal informou, em notas anteriores sobre a mesma área, que equipes realizam monitoramento, isolamento de trechos críticos e orientação aos moradores sobre saída preventiva de imóveis ameaçados. Entre as medidas emergenciais, o órgão menciona concessão de auxílio-aluguel e vistorias técnicas para avaliar necessidade de novas interdições. Moradores, porém, dizem que as intervenções estruturais avançam em ritmo menor que o crescimento da cratera.




