MANAUS – Um vizinho agrediu uma mulher em uma banca de churrasco antes de matar a tiros a jovem Alana Arruda Pereira, 25, em uma vila de quitinetes, em crime que aconteceu na quarta-feira (28), no bairro Betânia, zona Sul de Manaus, após desentendimentos na área comum do imóvel. O autor dos disparos é o vigilante Emerson Vasconcelos de Araújo, 32, morador ao lado da vítima, em um conjunto de pequenas residências com áreas compartilhadas. Câmeras de segurança registraram a sequência de agressões e a movimentação de moradores antes do homicídio.
O vídeo mostra Emerson discutindo com uma mulher em uma banca de churrasco instalada na parte externa da vila, em frente às quitinetes. Nas imagens, ele aparece agredindo a mulher, enquanto pessoas que lanchavam no local observam a cena. A banca funciona como ponto de venda informal, voltado para a rua, frequentado por moradores da região.
O crime ocorreu na rua da Paz, no bairro Betânia, onde Alana morava com o filho de 3 anos em uma das quitinetes. A residência de Emerson fica ao lado e também serve como espaço de atividades com crianças, tratado pelos moradores como uma escolinha. Vizinhos relataram que havia rixa antiga entre os dois, ligada à convivência diária e ao uso das áreas comuns da vila.
Após o registro da agressão na banca de churrasco, o clima na vila permaneceu tenso, com circulação de pessoas na área comum. Conforme informações da polícia, Alana e Emerson já tinham brigado no dia 18 de janeiro, dez dias antes do crime, em frente à casa do vigilante. Na data do homicídio, Alana voltou ao local para tirar satisfação, e o vizinho efetuou um disparo na cabeça da jovem.
Os disparos atingiram Alana na frente da residência, dentro da vila de quitinetes, e ela morreu no local. O filho dela estava no imóvel, mas não sofreu ferimentos. A Polícia Militar foi acionada por moradores que ouviram o tiro na vila. Equipes da 7ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom) atenderam a ocorrência e confirmaram o óbito.
O vigilante se apresentou à polícia após o crime e admitiu que tinha desavenças com Alana. Ele foi preso em flagrante e colocado à disposição da Justiça. O caso passou para investigação da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), que analisa vídeos e depoimentos para detalhar a cronologia dos fatos.
A investigação trata o caso como feminicídio, conforme a legislação que prevê o crime em contexto de violência contra a mulher ou por motivo relacionado à condição feminina. A proximidade entre vítima e agressor, que eram vizinhos e dividiam o mesmo espaço de convivência, integra a avaliação da autoridade policial. A polícia considera o histórico de conflitos, a briga registrada em vídeo no dia 18 e a agressão na banca de churrasco como elementos que indicam escalada de violência.
A família informou que Alana não tinha antecedentes criminais e se dedicava ao filho e à rotina na vila. O corpo passou por exames no Instituto Médico Legal (IML) e foi liberado para sepultamento em cemitério de Manaus. Órgãos de segurança do Amazonas destacam que casos de feminicídio seguem em acompanhamento por delegacias especializadas, com uso de imagens, depoimentos e registros anteriores para embasar os inquéritos.





