MANAUS – Um membro da Paróquia Nossa Senhora do Carmo é acusado de praticar maus-tratos, violência psicológica e intimidações contra a ex-esposa e o filho do casal, em situação que acontece há vários anos e veio a público nesta semana, em Manaus, após denúncias serem divulgadas em grupos de notícias e mensagens em redes sociais. O homem, identificado como Luiz, frequenta a paróquia localizada na Avenida Silves, bairro da Raiz, na zona Sul da cidade. As acusações relatam condutas de controle, ameaças, expulsão da família de casa e retenção do filho sob sua guarda por período superior ao combinado com a mãe.
Um dos relatos afirma que o pai pegou o filho para passar um fim de semana e, até o momento, não o devolveu à mãe, da qual está separado. Pessoas próximas à mulher relatam que ela está em situação de desespero e com medo de que o caso tenha desfecho semelhante ao de outro episódio recente, em que um pai matou o próprio filho por não aceitar a separação conjugal. A mãe tenta reaver a criança, mas não consegue contato direto com o filho nem acordo com o ex-companheiro.
As denúncias indicam a existência de boletins de ocorrência registrados contra Luiz por intimidação e ameaças, além de relato de que ele expulsou a esposa e o filho de casa durante o processo de separação. Em função dessa situação, a mãe ficou sem moradia e precisou se mudar para outro estado, enquanto o pai permanecia em Manaus. A ex-esposa afirma que, mesmo após a mudança, continuou recebendo pressões e intimidações.
O texto encaminhado ao padre da paróquia relata que Luiz mantinha, há anos, conduta agressiva, controladora e intimidadora dentro de casa, tolerada pela ex-esposa por necessidade de moradia e pela preocupação com o filho. Ainda conforme a denúncia, essas práticas se intensificaram por meio de filmagens constantes da mãe e da criança, sem consentimento, em situações do cotidiano familiar. O documento cita que o menor demonstrou incômodo com as gravações e não se sentia à vontade com a atitude do pai.
O relato também menciona episódio em que Luiz chegou a danificar o carro da ex-esposa em um momento descrito como ato de violência, durante conflito entre o ex-casal. As imagens da noite em que ele teria atingido o veículo foram registradas e incluídas como parte do material apresentado na denúncia. Após esses fatos, a mulher decidiu sair de Manaus e buscar outro endereço, que mantém em local considerado mais seguro, enquanto tenta regularizar a situação da guarda do filho.
As pessoas ligadas à mãe e ao filho pedem que fiéis e conhecidos da Paróquia Nossa Senhora do Carmo conversem com o padre responsável, com o objetivo de informar o caso e solicitar acompanhamento pastoral. Segundo o grupo, a percepção é de que o pároco não tem conhecimento completo das condutas atribuídas a Luiz e que “não compactua com esse tipo de comportamento”. A intenção é envolver a comunidade religiosa na proteção da criança e da ex-esposa, em alinhamento com valores de cuidado e responsabilidade moral.
Na carta enviada ao pároco, os denunciantes afirmam que o objetivo do relato é o zelo pastoral e a proteção comunitária, diante de condutas graves de violência psicológica, intimidação e violação de direitos da criança. O documento destaca que, antes da saída da mãe e do filho da residência, o pai já mantinha comportamento agressivo, com controle e ameaças, e que a situação se agravou após a expulsão da família de casa. A carta registra que, depois da mudança para outro estado, as intimidações passaram a atingir também familiares da mãe.
O texto relata ainda que, em episódio posterior, o pai colidiu propositalmente contra o veículo da ex-esposa, causando danos e ampliando o quadro de tensão. Há menção a tentativas de coerção de familiares para que dessem declarações contra a mulher. Mesmo diante desse histórico, os responsáveis pela denúncia informam que se buscou preservar o vínculo entre pai e filho, permitindo visitas durante as férias escolares, com data de retorno previamente acertada.
No último contato relatado, a criança afirmou que estava bem com o pai e demonstrou afeto, mas também expressou vontade de ficar com a mãe. Conforme o documento, o filho teria sinalizado, inclusive por gestos, que não se sentia à vontade para dizer isso diretamente ao pai e pediu silêncio à mãe para que ele não ouvisse. Após esse episódio, a mulher afirma que não conseguiu mais falar com o filho por telefone.
Os denunciantes apontam que Luiz se recusa a devolver a criança, utilizando lacunas do processo de guarda compartilhada para prolongar o afastamento da mãe. A situação é descrita como causa de sofrimento emocional para o filho e para a ex-esposa. O texto enviado ao pároco ressalta que já existem boletins de ocorrência registrados e medidas protetivas solicitadas às autoridades competentes.
Na parte final do documento, o grupo lembra que, embora o processo judicial esteja em andamento, instituições religiosas têm compromisso ético com a proteção da dignidade humana, da infância e da integridade moral das relações familiares. A carta pede atenção pastoral e providências compatíveis com os valores cristãos, em favor da criança, da mãe e da comunidade religiosa. A denúncia pede que o caso seja acompanhado de forma responsável, sem exposição pública dos dados da criança.
O conteúdo divulgado informa que o Portal do Zacarias recebeu as denúncias e o texto encaminhado ao padre, mas não registra posicionamento de Luiz, da ex-esposa ou da Paróquia Nossa Senhora do Carmo até o momento. Casos envolvendo violência psicológica, ameaça e intimidação em contexto familiar costumam ser enquadrados na Lei Maria da Penha e em dispositivos de proteção à criança e ao adolescente, com possibilidade de medidas protetivas e acompanhamento por órgãos de assistência social e conselhos tutelares.





