Mulher é morta com tiro na cabeça por vigilante durante discussão no bairro Betânia, em Manaus

A polícia apura se houve planejamento, se o vigilante agiu de forma impulsiva no momento da discussão ou se o histórico de conflitos indica uma escalada que culminou no crime.

MANAUS – Uma jovem de 25 anos, identificada como Alana Arruda Pereira, foi morta com um tiro na cabeça pelo vizinho que atua como vigilante durante uma discussão que aconteceu na tarde desta quarta-feira (28), na rua da Paz, bairro Betânia, zona Sul de Manaus, em meio a uma rixa antiga entre os dois. O autor do disparo morava ao lado da casa da vítima e foi preso ainda no local do crime. A Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS) trata o caso como feminicídio em contexto de desavença pessoal.

Segundo moradores, o crime ocorreu após nova discussão entre Alana e o vigilante em frente às residências. Relatos apontam que a rixa entre os dois era antiga e marcada por ofensas, ameaças e conflitos na vizinhança. Na noite anterior ao assassinato, Alana teria ido até a casa do vigilante acompanhada de dois rapazes que estariam armados, mas o homem não foi encontrado. Na tarde desta quarta-feira, ao sair ao portão para receber uma encomenda ou tirar satisfação, ela acabou atingida por um disparo de arma de fogo na cabeça.

A jovem morava de aluguel com a mãe, o padrasto, um irmão e a filha de 4 anos na casa ao lado da residência do vigilante. De acordo com o que foi relatado por familiares e vizinhos, o convívio entre as duas famílias já apresentava conflitos anteriores. A rixa incluía discussões em frente às casas, troca de xingamentos e clima de tensão na rua.

Relatos de moradores citam que, na noite do último dia 18, Alana e o vigilante se desentenderam em frente à casa dele. Os dois trocaram ofensas e quase chegaram às vias de fato. Vídeos da data registraram a discussão e foram entregues à polícia, como parte do material que mostra o histórico de desavenças. Dez dias depois, a sequência de conflitos terminou com o disparo que matou a jovem.

Na tarde do crime, Alana foi atingida por um tiro à queima-roupa na região da cabeça, em frente à sua residência. Ela morreu no local, antes da chegada de socorro médico. Crianças que estavam em uma atividade de reforço escolar na casa do vigilante se assustaram com a discussão e o barulho do disparo. Moradores acionaram a Polícia Militar logo após ouvirem o tiro.

O vigilante se entregou à polícia logo depois do disparo. Ele entregou também a arma usada no crime, um revólver calibre 38, que ficou apreendido para perícia. Equipes da 7ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom) e da Força Tática foram até o local, detiveram o suspeito e o encaminharam à unidade policial. O delegado George Gomes, da DEHS, informou que o homem admitiu ter desavença antiga com Alana, sem detalhar o motivo.

A equipe do Departamento de Polícia Técnico-Científica (DPTC) e o Instituto Médico Legal (IML) foram acionados para fazer a perícia e remover o corpo da vítima. O corpo de Alana seguiu para o IML, onde passou pelos procedimentos legais antes da liberação para a família. A cena do crime foi periciada, com registro de posição do corpo, estojos e demais vestígios que possam ajudar na investigação.

Informações de moradores e registros divulgados por outros veículos confirmam que a rixa entre o vigilante, identificado em apurações como Emerson Vasconcelos de Araújo, e Alana já durava algum tempo e era marcada por ameaças mútuas. As informações apontam que ambos já tinham discutido em público e que vizinhos temiam que o conflito terminasse em violência. O desfecho foi o disparo fatal, seguido da prisão em flagrante do suspeito.

O caso segue sob responsabilidade da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros, que analisa os vídeos das discussões anteriores, depoimentos de familiares, vizinhos e demais envolvidos. A polícia apura se houve planejamento, se o vigilante agiu de forma impulsiva no momento da discussão ou se o histórico de conflitos indica uma escalada que culminou no crime. O suspeito permanece à disposição da Justiça.

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