BRASIL – O rapper Oruam, nome artístico de Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, passou a ser considerado foragido após a Justiça do Rio de Janeiro determinar a retomada de sua prisão preventiva por descumprimento reiterado das regras de monitoramento eletrônico. Ele é réu em ação penal que apura tentativa de homicídio qualificado contra dois policiais civis durante operação realizada em sua casa, em 22 de julho de 2025, e estava em liberdade por força de liminar concedida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), condicionada ao uso de tornozeleira eletrônica.
Relatórios da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) apontam que o equipamento de monitoramento de Oruam registra histórico de 66 violações, sendo 21 classificadas como graves somente em 2026, em sua maioria relacionadas à falta de carregamento da bateria e longos períodos em que o dispositivo permaneceu desligado. Segundo os autos, também houve descumprimento de recolhimento domiciliar noturno em diversas datas e interrupções do sinal por até horas, com 22 incidentes entre outubro e novembro de 2025 e 28 falhas em 43 dias, conforme decisões judiciais e despachos que embasaram a revogação do habeas corpus.
De acordo com a Seap, Oruam utiliza tornozeleira desde 30 de setembro de 2025 e, diante das falhas, compareceu à Central de Monitoração Eletrônica em 9 de dezembro, quando o equipamento foi trocado. A perícia técnica apontou dano eletrônico possivelmente causado por alto impacto na tornozeleira retirada, e, mesmo após a substituição, o novo dispositivo voltou a apresentar falhas por ausência de carregamento, ficando totalmente descarregado desde 1º de fevereiro deste ano.
Diante do quadro, o Ministério Público requereu a prisão preventiva, alegando que as medidas cautelares alternativas se mostraram insuficientes para garantir a ordem pública e a aplicação da lei penal. Com a revogação da liminar pelo STJ, a juíza Tula Corrêa de Mello, da 3ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio, determinou novamente a prisão de Oruam e expediu mandado de captura. A Polícia Civil informou que tentou localizar o rapper em diferentes endereços, mas ele não foi encontrado e, por isso, passou a ser formalmente tratado como foragido.
Na ação penal, Oruam responde pela acusação de, junto com outros homens, lançar pedras de grande peso e volume contra o delegado Moyses Santana Gomes e o oficial Alexandre Alves Ferraz durante cumprimento de mandado de busca e apreensão em sua residência, em Jacarepaguá. A defesa do artista atribui as falhas do monitoramento a problemas técnicos na bateria da tornozeleira e sustenta que não houve intenção de burlar o sistema, argumento que não foi acolhido pelas instâncias superiores, que entenderam haver descumprimento reiterado das obrigações impostas.





