MUNDO – Uma pesquisa em neurociência cognitiva revela declínio em medidas cognitivas da Geração Z, incluindo atenção básica, memória, alfabetização, matemática, função executiva e QI. O estudo aplicado a jovens entre 18 e 25 anos mostra que eles apresentam pontuações inferiores às gerações anteriores na mesma faixa etária pela primeira vez em mais de 200 anos de registros. O trabalho conduzido pelo neurocientista Jonathan Haidt aponta impacto de tecnologias digitais intensas no desenvolvimento cerebral durante a adolescência.
Os testes cognitivos comparam desempenho da Geração Z com Millennials e Geração X em idades equivalentes. Resultados indicam queda média de 7 pontos em QI verbal e 10 pontos em capacidade de processamento mental rápido. Atenção sustentada cai 20% em tarefas que exigem foco prolongado sem interrupções. Memória de trabalho apresenta redução de 15% na retenção de sequências numéricas ou espaciais. O declínio ocorre em praticamente todas as áreas avaliadas ao longo dos experimentos padronizados.
Jonathan Haidt, autor principal da pesquisa, atribui causas principais ao uso excessivo de smartphones e redes sociais a partir dos 10 anos de idade. Ele destaca que telas substituem atividades de brincar livre, leitura profunda e conversas presenciais essenciais para maturação neural. Países com maior penetração de tecnologia na educação apresentam desempenhos inferiores em avaliações internacionais como PISA. O neurocientista afirma que introdução de dispositivos digitais na escola correlaciona-se diretamente com queda no aprendizado tradicional.
A Geração Z, nascida entre 1997 e 2012, enfrenta exposição contínua a estímulos rápidos de TikTok, Instagram e YouTube Shorts. Cada plataforma opera com algoritmos que priorizam atenção fragmentada em loops de 15 segundos. Haidt registra que adolescentes passam em média 9 horas diárias em entretenimento digital, tempo que gerações anteriores dedicavam a sono, esportes e interação social. O cérebro adolescente, ainda em plasticidade elevada, adapta-se a padrões de recompensa instantânea em detrimento de habilidades analíticas complexas.
Pesquisas complementares confirmam correlação entre tempo de tela e redução na espessura cortical pré-frontal, região responsável por planejamento e autocontrole. Estudos longitudinais nos EUA e Europa mostram que cada hora adicional de redes sociais associa-se a 2% de queda em notas escolares. Haidt enfatiza que a Geração Z representa ponto de inflexão histórica: primeira vez que filhos apresentam menor capacidade cognitiva que os pais na mesma idade. Ele recomenda restrições parentais a partir dos 14 anos para mitigar danos irreversíveis.
O estudo alerta governos e educadores sobre necessidade de políticas que limitem tecnologia em salas de aula. Haidt critica substituição de livros por tablets em sistemas escolares de países desenvolvidos. Países que mantêm ensino tradicional apresentam melhores índices cognitivos em avaliações globais. A pesquisa ganha repercussão mundial com debates sobre “emergência cerebral” gerada por hiperconectividade. Especialistas em neurodesenvolvimento endossam diagnóstico e propõem intervenções urgentes para reverter trajetória descendente.





