SAÚDE – Brasileiros adotam práticas inadequadas ao higienizar alimentos em casa, o que gera riscos à saúde por contaminação. A pesquisa do Centro de Pesquisas em Alimentos da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP identificou esses erros. O estudo analisou 5 mil pessoas de todos os Estados brasileiros.
Pesquisadores coletaram dados por questionário online. O trabalho mapeou hábitos de higiene, manipulação e armazenamento de alimentos. Uelinton Manoel Pinto coordenou a pesquisa.
Cerca de 46,3% dos participantes lavam carnes na pia da cozinha. Essa prática espalha patógenos no ambiente. Pinto destacou o risco com a carne de frango.
Outro erro envolve o cozimento. 24,1% consomem carnes malcozidas. 17,4% comem ovos crus ou malcozidos em maioneses caseiras e pratos similares.
A temperatura mínima para cozinhar alimentos de origem animal é 74°C. Esse nível inativa patógenos presentes no produto cru. O cozimento reduz micro-organismos a níveis seguros.
Para verduras, 31,3% usam apenas água corrente na higienização. 18,8% combinam água corrente e vinagre. A recomendação é lavar com água corrente e solução clorada por 10 minutos, com enxágue final.
37,7% aplicam solução clorada em verduras. Vegetais cozidos dispensam essa etapa. Frutas seguem regra similar se descascadas.
Para frutas, 35,7% utilizam água corrente. 22,7% adicionam detergente à água. 28,5% recorrem à solução clorada.
A Organização Mundial da Saúde registra 600 milhões de casos anuais de doenças transmitidas por alimentos. 420 mil mortes ocorrem por ano no mundo. No Brasil, de 2000 a 2018, houve 247.570 casos oficiais e 195 mortes, conforme o Ministério da Saúde.
A cozinha doméstica é a origem principal da contaminação no Brasil. O estudo confirma esse padrão. Práticas corretas evitam esses problemas.
Lavar carnes na pia contamina superfícies próximas. Patógenos se transferem para utensílios e outros alimentos. A carne malcozida preserva micro-organismos vivos.
Higienização inadequada de frutas e verduras deixa resíduos. Soluções como vinagre ou detergente não eliminam todos os patógenos. A cloração segue padrão seguro.





