BRASIL – O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) anunciou nesta terça-feira (18) que irá se licenciar do mandato parlamentar e se mudar para os Estados Unidos. Filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o parlamentar afirmou que a decisão não é um ato de “covardia”, mas sim uma forma de continuar representando seus eleitores e buscar “sanções aos violadores de direitos humanos”. O anúncio ocorre uma semana antes do julgamento na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) que pode transformar Jair Bolsonaro em réu por tentativa de golpe de Estado.
Em publicação nas redes sociais, Eduardo Bolsonaro justificou a decisão, afirmando que não se submeterá a um “regime de exceção” e que seguirá lutando por seus ideais. “Não irei me acovardar, não irei me submeter ao regime de exceção e aos seus truques sujos. Da mesma forma que assumi o mandato parlamentar para representar minha nação, eu abdico temporariamente dele, para seguir representando esses irmãos de pátria que me incumbiram dessa nobre missão”, declarou.
O licenciamento será sem remuneração, segundo o deputado, que afirmou ainda que a mudança para os EUA tem como objetivo fortalecer laços com aliados internacionais, incluindo o governo do ex-presidente americano Donald Trump, com quem tem mantido proximidade.
Contexto político e investigações
A decisão de Eduardo Bolsonaro ocorre em um momento de tensão para a família Bolsonaro. O STF deve julgar na próxima semana se Jair Bolsonaro será formalmente acusado de tentativa de golpe de Estado, em um caso que investiga supostas articulações de políticos e militares bolsonaristas contra a democracia. A Polícia Federal tem apurado o envolvimento de figuras próximas ao ex-presidente em ações que visavam desestabilizar o processo democrático.
Além disso, no domingo (16), uma manifestação convocada por Jair Bolsonaro em São Paulo, que pedia anistia para os condenados pelo STF, foi considerada esvaziada. O evento reforçou a percepção de que o apoio ao ex-presidente está enfraquecendo, mesmo entre seus aliados mais fiéis.
Jair Bolsonaro, no entanto, negou que tenha planos de deixar o Brasil, mesmo diante da possibilidade de uma condenação. Durante a manifestação, ele afirmou que continuará sendo um “problema” para o STF, “preso ou morto”. “O que eles querem é uma condenação. Se é 17 anos para as pessoas humildes, é para justificar 28 anos para mim. Não vou sair do Brasil”, declarou.
A decisão de Eduardo Bolsonaro de se licenciar e mudar para os EUA gerou reações mistas. Aliados do ex-presidente enxergam a medida como uma forma de pressionar internacionalmente o governo brasileiro e o STF, enquanto críticos veem a mudança como uma tentativa de fugir das consequências das investigações em curso.
A ida de Eduardo para os EUA também levanta questões sobre o futuro político da família Bolsonaro. Enquanto Jair Bolsonaro insiste em permanecer no Brasil e enfrentar as acusações, o filho parece buscar uma estratégia diferente, focada em influência internacional e pressão externa.
O licenciamento de Eduardo Bolsonaro e sua mudança para os Estados Unidos marcam mais um capítulo na crise política que envolve a família Bolsonaro. Com o julgamento do STF se aproximando e as investigações da PF avançando, a decisão do deputado reflete a complexidade do momento vivido pelos bolsonaristas. Enquanto Jair Bolsonaro promete resistir no Brasil, Eduardo busca novos caminhos no exterior, em um movimento que pode redefinir os rumos da oposição ao governo atual.
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