BRASIL – A Polícia Federal concluiu que o ex-assessor parlamentar Fabrício Vorcaro montou esquema sofisticado de monitoramento ilegal contra adversários políticos, jornalistas investigativos e autoridades públicas, com uso de grampos telefônicos clandestinos, drones de rastreamento e softwares de invasão cibernética para coletar dados comprometedores. O relatório final da operação, divulgado nesta quarta-feira (4), detalha rede que operou por dois anos em Brasília e São Paulo, com relatórios pagos entregues a figuras do alto escalão governamental. A prisão de Vorcaro ocorreu em fevereiro após mandado do STF.
Vorcaro coordenou equipe de hackers e ex-agentes de inteligência para interceptar conversas de pelo menos 15 alvos, incluindo deputados de oposição, repórteres do STF e procuradores da Lava Jato, gerando dossiês com informações pessoais para chantagem ou vazamentos seletivos. O esquema faturou R$ 2,8 milhões em contratos fictícios via empresas de fachada, com pagamentos em bitcoin e transferências offshore para evitar rastros. A PF apreendeu servidores em nuvem e celulares que confirmam entregas a clientes identificados como “amigos do Planalto”.
O inquérito revela que o monitoramento visava neutralizar críticas ao governo federal em ano pré-eleitoral, com ênfase em jornalistas que cobriam corrupção em estatais e adversários que articulavam CPIs no Congresso. Autoridades como o ministro Alexandre de Moraes determinaram continuidade das investigações, com indiciamento por crimes de invasão de dispositivo informático, interceptação ilegal e formação de quadrilha. A Abin nega envolvimento oficial, mas quatro servidores foram afastados preventivamente.
Vorcaro, que atuou como assessor informal de líderes partidários, confessou parcialidade do esquema em delação premiada, citando pressões de “altos escalões” para resultados rápidos contra alvos específicos. A PF encaminha o caso ao STF para análise de conexões com parlamentarismo e possíveis abusos de autoridade, enquanto entidades de imprensa cobram punições exemplares. O relatório expõe fragilidades na segurança cibernética de comunicações oficiais no Brasil.





