Dirigentes da Amazonprev atuam em esquema com Banco Master  

A operação Sine Consensu cumpriu sete mandados de busca e apreensão nesta sexta-feira (6), em Manaus.
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BRASIL – A Polícia Federal investiga funções específicas de três dirigentes da Amazonprev em aplicações suspeitas de R$ 390 milhões em letras financeiras de bancos privados, incluindo R$ 50 milhões no Banco Master entre junho e setembro de 2024. Os gestores fracionaram valores para evitar fiscalização e credenciaram instituições emissoras como o Banco Master, liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025. A operação Sine Consensu cumpriu sete mandados de busca e apreensão nesta sexta-feira (6), em Manaus.

Luís Felipe de Souza Nobre, diretor de Investimentos, aprovou as operações sem análise técnica detalhada apesar de alertas internos e de consultoria externa que desaconselhavam os papéis por falta de liquidez e segurança. Ele coordenou o credenciamento rápido do Banco Master e autorizou os aportes fracionados. A auditoria do Ministério da Previdência identificou cinco aplicações irregulares: R$ 50 milhões no Master em junho, R$ 50 milhões no Daycoval em agosto, R$ 40,7 milhões no BTG em setembro e duas de R$ 125 milhões no C6 Consignado no mesmo mês.

Marcelo Ferreira de Lima, diretor Administrativo-Financeiro, gerenciou as transferências bancárias e assinou documentos que viabilizaram os repasses sem passar por comitês de risco. Ele atuou na liberação de recursos do fundo de previdência dos servidores públicos do Amazonas. A Justiça afastou os três dirigentes por 90 dias para evitar interferência nas apurações.

Josué Carlos Cardoso, superintendente de Operações, supervisionou o fracionamento das aplicações em lotes menores para contornar limites de fiscalização interna da Amazonprev. Sua função incluía monitoramento de compliance, mas ele ignorou relatórios que apontavam fragilidade financeira do Banco Master, cujo dono Daniel Vorcaro foi preso na Operação Compliance Zero dias antes da liquidação.

O Tribunal de Contas do Amazonas (TCE-AM) abriu processo em fevereiro de 2026 após representação do Ministério Público de Contas sobre vícios na aplicação de R$ 300 milhões, sendo R$ 50 milhões no Master e R$ 250 milhões no C6 Bank. O Ministério Público Federal suspeita de corrupção ativa e passiva, com possível propina aos dirigentes para direcionar os investimentos. A Amazonprev afirma que os valores não geram risco ao fundo e colabora com as investigações.

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