MANAUS – A desembargadora Luiza Cristina Marques, do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), manteve a prisão preventiva de Cleusimar Cardoso Rodrigues e Ademar Farias Cardoso Neto. Cleusimar é mãe da ex-sinhazinha Djidja Cardoso. Ademar é irmão dela. A decisão negou habeas corpus apresentado pela defesa dos familiares. O caso tramita na Comarca de Manaus relacionado à morte de Djidja e tráfico de drogas. A ordem judicial saiu nesta segunda-feira (23).
Djidja Cardoso apareceu morta em 28 de maio de 2024 dentro da casa dela no bairro Cidade Nova, zona Norte de Manaus. A Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) investigou overdose de cetamina como causa do óbito. A família mantinha o grupo religioso “Pai, Mãe, Vida” que promovia uso da droga sintética cetamina. A substância humana e veterinária causa alucinações e dependência química grave. Cleusimar e Ademar prenderam-se no mesmo dia 28 de maio de 2024 durante operação policial no local do crime.
O Ministério Público do Amazonas (MP-AM) denunciou Cleusimar por tráfico de drogas e associação para o tráfico no artigo 288 do Código Penal. Ademar enfrentou denúncia pelos mesmos crimes sob artigos 33 e 288. O promotor André Virgílio Betola Seffair descreveu Cleusimar no núcleo central do esquema criminoso. Ela guardava caixas de cetamina na residência para distribuir a familiares, colaboradores e frequentadores do salão de beleza da família. A denúncia citou oito réus no total ligados à rede de salões e à clínica veterinária fornecedora.
A defesa pediu relaxamento de prisão na audiência de instrução realizada de forma online na semana passada. O juiz Celso de Paula negou liberdade a Cleusimar, Ademar, Hatus Moraes Silveira, José Máximo Silva de Oliveira e Sávio Soares Pereira. José Máximo e Sávio são donos e sócio da clínica veterinária que fornecia cetamina ao grupo. Hatus Moraes Silveira atuava como coach se passando por personal trainer da família Cardoso. A decisão judicial considerou risco à ordem pública e conveniência da instrução processual.
Djidja Cardoso ganhou notoriedade como sinhazinha de bateria da escola de samba Reino Unido de Liberdade em Manaus. A família administrava rede de salões de beleza na cidade com vários endereços comerciais. O grupo religioso “Pai, Mãe, Vida” realizava sessões com cetamina para suposta elevação espiritual. O ex-namorado de Djidja, Bruno Roberto da Silva Lima, também figurava na denúncia por tráfico e estimulava Cleusimar na prática. Ele responde em liberdade provisória com medidas cautelares impostas.
Outros denunciados incluem Marlisson Vasconcelos Dantas e Claudiele Santos da Silva, cabeleireiro e maquiadora dos salões da família. Verônica da Costa Seixas, ex-gerente, usa tornozeleira eletrônica por ordem judicial. Emicley Araújo Freitas Júnior trabalhava na clínica veterinária de José Máximo. O juiz Celso de Paula retirou tornozeleiras de alguns réus que já respondiam soltos. O processo avança só por tráfico de drogas até agora conforme denúncia do MP-AM.
A desembargadora Luiza Cristina Marques analisou os autos e manteve a preventiva por garantia da instrução criminal. Ela destacou a gravidade concreta dos crimes e a possibilidade de reiteração delitiva pela família. Cleusimar e Ademar cumprem prisão no sistema penitenciário de Manaus desde maio de 2024. A PC-AM e o MP-AM investigam conexões entre morte de Djidja, uso de drogas e atividades do grupo religioso na capital amazonense. O caso gera repercussão na sociedade manauara por envolver figura pública local.
A Vara do Júri da Comarca de Manaus concentra a ação penal contra os dez acusados listados na denúncia inicial. O Ministério Público aguarda produção de provas como perícia toxicológica e depoimentos de testemunhas oculares. A família Cardoso enfrentou condenações anteriores por tráfico com penas acima de dez anos cada em decisão de dezembro de 2024. A prisão preventiva persiste para assegurar aplicação da lei penal em primeira instância no Fórum Ministro Henoch da Silva Reis.





