AMAZONAS – A Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) concluiu que a médica Juliana Brasil encomendou e pagou pela adulteração de vídeo para justificar erro médico no atendimento a Benício Xavier de Freitas. O menino de 6 anos morreu em 23 de novembro de 2025 no Hospital Santa Júlia, zona Centro-Sul de Manaus. A extração de dados do celular da investigada revelou mensagens que confirmam a fraude processual. O delegado Marcelo Martins, do 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP), anunciou a descoberta nesta segunda-feira (23).
Benício chegou ao hospital às 14h37 com quadro de asma grave e dificuldade respiratória intensa na Sala Vermelha. Juliana Brasil prescreveu adrenalina intravenosa por erro no sistema de medicação do Santa Júlia apesar de indicação oral padrão para crises asmáticas infantis. A aplicação via veia causou overdose que levou à parada cardiorrespiratória irreversível do paciente. O menino ficou deitado na maca em estado crítico entre a vida e a morte por mais de uma hora sem estabilização adequada da médica plantonista.
Juliana contatou outros médicos e enfermeiros no dia 26 de novembro de 2025 para produzir vídeo falso que simulasse falha no software hospitalar. A irmã da médica e uma amiga profissional de saúde participaram da manipulação segundo mensagens extraídas do aparelho celular apreendido. Juliana negociava venda de maquiagens e cosméticos por WhatsApp às 15h47 com uma amiga enquanto Benício lutava para respirar na maca ao lado. A polícia considera a conduta indiferença à vida da vítima que configura dolo eventual e homicídio qualificado doloso.
O vídeo fraudulento apresentou-se à defesa no Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) para sustentar habeas corpus e alegar erro técnico do sistema. Perícia técnica da PC-AM comprovou edição intencional das imagens que simulavam troca automática de via de administração da adrenalina. Juliana afirmou em áudio “amanhã vai chegar o vídeo pra mim, já alterado” para contato com enfermeira de outro hospital pago pela produção manipulada. A fraude processual soma-se agora ao inquérito por homicídio culposo ou doloso contra a médica registrada no Conselho Regional de Medicina do Amazonas (Cremam).
A defesa de Juliana Brasil divulgou o vídeo em dezembro de 2025 à imprensa e ao TJAM para questionar falha no prontuário eletrônico do Santa Júlia. Advogados sustentaram que o sistema receitava intravenosa mesmo com prescrição oral inserida pela profissional. A PC-AM refuta a tese com laudo pericial que confirma adulteração digital das gravações originais do hospital particular. A defesa nega pagamento e mantém integridade do material produzido por pessoa de confiança em unidade com software idêntico.
O Hospital Santa Júlia afastou Juliana Brasil do plantão imediatamente após o óbito de Benício em 23 de novembro de 2025. O Cremam-AM abre processo ético-profissional contra a médica por possível infração ao Código de Ética Médica no atendimento pediátrico emergencial. Familiares da vítima acompanham o inquérito no 24º DIP com apoio do Ministério Público do Amazonas (MP-AM). O delegado Marcelo Martins indica que as mensagens de venda de produtos de beleza reforçam negligência grave durante plantão remunerado na Sala Vermelha.
O caso Benício ganha repercussão nacional por envolver erro médico fatal em criança asmática e tentativa de ocultação de provas. A PC-AM cumpre mandados de busca e apreensão na residência de Juliana na zona Norte de Manaus desde janeiro de 2026. Peritos analisam histórico completo de prescrições da investigada em hospitais particulares da capital amazonense. O MP-AM avalia denúncia formal por homicídio e fraude após conclusão do laudo final dos peritos criminais nesta semana.





