Manaus – Três homens, de idades ainda não divulgadas, foram presos em flagrante, na quarta‑feira (25), pelos crimes de extorsão, ameaça e associação para a prática de agiotagem contra uma idosa de 63 anos, em Manaus. A vítima vinha sofrendo cobranças abusivas e ameaças em razão de uma suposta dívida, segundo a Polícia Civil do Amazonas. A delegada Débora Barreiros, do 16° Distrito Integrado de Polícia (DIP), detalhou que os suspeitos atuavam em esquema de juros abusivos e de intimidação, com foco em ação coercitiva contra a mulher.
Conforme informações do 16° DIP, as diligências tiveram início após a idosa procurar a delegacia e relatar que era constantemente ameaçada pelos autores. A vítima afirmou que recebia mensagens, fotos e ameaças de que os agiotas estavam em frente à sua casa, incluindo mensagens nas quais eles diziam que estavam na frente da residência com arma de fogo. Momentos antes da prisão, o trio estacionou um veículo nas proximidades da casa da idosa, prática entendida pela polícia como forma de intimidá‑la e pressioná‑la a pagar.
A delegada explicou que a equipe policial decidiu abordar um veículo que circulava pela rua da casa da vítima. No momento da abordagem, os ocupantes empreenderam fuga, iniciando uma perseguição que seguiu até a avenida Constelação, no bairro Aleixo. Durante a fuga, os suspeitos passaram a se desfazer de objetos pela janela do carro, incluindo celulares e uma arma de fogo. A polícia recuperou o material abandonado, o que reforçou a suspeita de porte ilegal e de ameaça agravada contra a idosa, que teria sido comunicada da presença de armamento por meio de mensagens e fotos enviadas pelos próprios agiotas.
As investigações revelam que a vítima havia tomado emprestado o valor de R$ 500, montante já pago em parcelas que somam mais de R$ 1.000, ainda sem que a suposta dívida fosse considerada quitada. A idosa afirmou aos policiais que os juros praticados pelos agiotas eram abusivos, com parcelas diárias que variavam entre R$ 50 e R$ 60. Ainda segundo ela, o empréstimo original não havia sido feito com o trio agora preso, mas com outro agiota, e o caso acabou sendo assumido por esse grupo, que passou a cobrar, de forma coercitiva, valores que iam muito além do valor inicialmente emprestado.
A delegada Débora Barreiros reforçou que o trio confessou, durante os procedimentos, que faz parte de um grupo de agiotagem que opera em Manaus e que o modus operandi inclui a busca ativa por vítimas com dívida em atraso, reestruturação mesquinha de parcelas e intimidação física, além do uso de arma como instrumento de pressão. Os três homens foram presos em flagrante, encaminhados à audiência de custódia e ficaram à disposição da Justiça, com a apuração do 16° DIP seguindo para definição de responsabilização penal e análise de eventual existência de outros integrantes do núcleo criminoso.
O caso reforça a presença contínua de esquemas de agiotagem em Manaus, com foco em cobranças violentas e uso de intimidação contra pessoas em situação de vulnerabilidade financeira. A Polícia Civil orienta qualquer pessoa que esteja sob pressão de agiotas, com ameaças de prisão, sequestro, danos físicos ou destruição de patrimônio, a procurar imediatamente o órgão de segurança, delegacias especializadas ou centrais de atendimento, para que possa ser protegida e que a ação de cobrança ilegal seja formalmente registrada e investigada.





