Manaus – Moradores do bairro Santa Etelvina, na zona norte de Manaus, vivem uma rotina marcada por repetidos alagamentos desde o início do período chuvoso. Casas voltaram a ser invadidas pela água após temporais recentes, deixando lama, móveis danificados e famílias tentando salvar o que ainda restou dentro dos imóveis. A situação é descrita como uma das mais constantes dos últimos meses, com cada chuva mais intensa provocando nova onda de prejuízos.
Durante visita ao local, moradores mostraram o interior das casas ainda com marcas da água nas paredes, roupas, eletrodomésticos e utensílios jogados em locais improvisados. Mesmo após horas de limpeza, é possível observar camadas de lama, pisos ecolados e móveis que precisaram ser retirados para o lado de fora, em calçadas ou ruas de terra, enquanto a água não baixa. Em alguns casos, moradores tiveram que improvisar plataformas de madeira ou pedras para elevar rapidamente volumes maiores e reduzir perda de bens.
Além dos prejuízos materiais, as famílias relatam que a água sobe com velocidade sempre que chove forte, chegando a diferentes níveis de acordo com a duração da chuva. Isso dificulta a permanência dentro das casas, muitas delas térreas ou com pouca diferença de nível em relação à rua. Animais de estimação e de criação tiveram que ser colocados em baias improvisadas, caixas de madeira ou qualquer outra superfície elevada para evitar contato prolongado com a água suja. “Desde o começo do inverno eu tô passando por isso. Toda vez que chove é assim”, contou um morador, resumindo o ciclo de alagamentos que se repete.
Moradores apontam que o problema está ligado ao transbordamento de um igarapé próximo às residências, cujo fluxo avança sobre a área de ocupação assim que a vazão aumenta. O canal, que corta o entorno do bairro, é visto como principal foco de água que invade os terrenos. Diante disso, as famílias reforçam a cobrança por obras de drenagem, limpeza regular do igarapé, construção de galerias pluviais e melhorias de infraestrutura urbana para reduzir o impacto das chuvas na região.
“Olha os bichinhos, estão em cima da tábua porque não tem onde ficar”, disse outro morador, ao mostrar cães e gatos que agora vivem em plataformas de madeira improvisadas. Enquanto aguardam uma solução, muitas famílias seguem limpando as casas, tirando entulho e tentando recuperar parte dos móveis danificados pela água, com ajuda de vizinhos, parentes e alguns serviços comunitários. A expectativa é de que autoridades municipais e estaduais visitem a área, avaliem a situação de perto e apresentem um plano de longo prazo para evitar que Santa Etelvina volte a ser tomada pela água em cada novo episódio de temporal.





