O Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) e a Universidade Federal do Amazonas (Ufam), em parceria com a Associação de Criadores de Abelhas do Amazonas (ACAM), organizam o II Congresso Amazonense de Meliponicultura (II CAM) em Manaus, entre 22 e 25 de julho de 2026. O evento tem foco na ciência, na conservação e no empreendedorismo em torno da criação técnica e sustentável de abelhas sem ferrão e dos produtos meliponícolas, como mel, pólen e própolis.
A meliponicultura é uma atividade econômica em expansão na Amazônia, mas enfrenta desafios como exigências técnicas de manejo, regularização ambiental para a prática e a burocracia relacionada à comercialização dos produtos. Além disso, a logística amazônica, com dificuldades de escoamento da produção e de acesso a mercados, limita o crescimento dessa cadeia produtiva na região. O Congresso busca ajudar criadores, pesquisadores e agentes públicos a superar essas barreiras, amparando decisões em base técnica, científica e de políticas públicas adequadas.
Com o tema “Ciência, Conservação e Empreendedorismo: conexões que geram o futuro”, o II CAM inclui também o V Encontro de Criadores de Abelhas do Amazonas e acontece no campus da Ufam, setor Sul, em Manaus. A programação conta com mais de 50 atividades, divididas entre palestras, painéis, apresentação de trabalhos, minicursos, oficinas, conversas com meliponicultores, concursos de mel, fotografia e de material didático, além da II Feira de Produtos e Equipamentos da Meliponicultura, momentos gastronômicos com sabores amazônicos feitos a partir de mel e visitas técnicas a meliponários.
A coordenadora geral do evento, a pesquisadora do Inpa Gislene Zilse, explica que o objetivo é integrar ciência e prática, mostrando como a meliponicultura pode ser exibida como uma atividade sustentável ligada à conservação da biodiversidade. “Não queremos apenas estimular novos empreendedores, mas também dar uma base técnico‑científica para a execução deste trabalho na Amazônia de maneira sustentável, podendo contribuir com a conservação e exploração responsável do nosso Bioma Amazônico”, afirma Zilse, líder do Grupo de Pesquisas em Abelhas (GPA/Inpa).
Na Amazônia, são encontradas cerca de 120 espécies de abelhas‑sem‑ferrão. No Amazonas, as mais criadas são a uruçu‑boca‑de‑renda (conhecida como Jandaíra) e a Jupará, espécies grandes, boas produtoras de mel e pólen, com cerca de 5 kg por colmeia ao ano, e de fácil reprodução. A meliponicultura reúne, no Estado, cerca de 1.500 produtores, a maioria vinculada a associações. A atividade é desenvolvida principalmente por agricultores familiares, povos indígenas e comunidades tradicionais, que usam as abelhas para produção de mel, pólen, própolis e para o serviço de polinização de culturas agrícolas. Boa Vista do Ramos, Urucará, Maués, Iranduba, Presidente Figueiredo, Rio Preto da Eva e Itapiranga concentram a maior parte dos meliponicultores do Amazonas.
O evento reúne 48 palestrantes e ministrantes experientes em pesquisa e em prática de meliponicultura, com participação de meliponicultores, cientistas, estudantes, professores, empresários, agentes públicos, profissionais de gastronomia, turismo e empreendedorismo. A solenidade de abertura está marcada para 22 de julho, às 15h30, com a palestra master da pesquisadora Gislene Zilse. A partir das 8h30, já ocorrem atividades do V Encontro de Criadores de Abelhas do Amazonas e a exposição e venda de produtos da Feira. No dia 23, o foco é a prática, com minicursos e oficinas sobre o passo a passo do cadastro do meliponicultor no Amazonas, montagem de pasto para abelhas, produção de mel e gestão de negócios, além de treinamentos em técnicas de início de criação e reconhecimento de espécies de abelhas‑sem‑ferrão da Amazônia.
As inscrições para o primeiro lote ficam abertas até 12 de abril ou pelo link do site do evento, limitado às vagas disponíveis. O prazo para submissão de resumos científicos e técnico‑práticos segue até 29 de abril, com trabalhos divididos em cinco áreas temáticas: aspectos socioeconômicos da meliponicultura; biologia e genética de abelhas‑sem‑ferrão; polinização e ecologia aplicada às abelhas‑sem‑ferrão; técnicas em meliponicultura; e usos e produtos das abelhas‑sem‑ferrão. Também estão abertas, por adesão, inscrições para visitas técnicas aos meliponários e locação de estandes, a partir de 8 de abril.





