A prisão do renomado treinador de jiu-jítsu Melquisedec de Lima Galvão Ferreira, o Melqui Galvão, de 47 anos, trouxe à tona relatos devastadores de adolescentes que frequentavam suas academias. Em entrevista exclusiva ao programa Fantástico, a primeira jovem a denunciar o caso revelou detalhes sobre como o mestre utilizava sua posição de autoridade para dopar e assediar alunas durante viagens para competições internacionais.
De acordo com o depoimento da adolescente, o crime ocorreu fora do Brasil, quando Galvão ofereceu um suposto medicamento para que ela “relaxasse” antes de uma luta. Após ingerir o remédio e adormecer, a jovem acordou com o treinador tocando suas partes íntimas por baixo da roupa. Em áudios entregues à polícia, o investigado tenta minimizar o ato, alegando que o toque durou apenas “três segundos” e sugerindo que a própria vítima teria dado abertura para uma relação que extrapolava o vínculo entre professor e atleta.
Táticas de Manipulação e Novas Denúncias
A investigação da Polícia Civil aponta que o comportamento de Melqui Galvão seguia um padrão de controle e intimidação. Além do abuso físico, a família da primeira denunciante revelou que o treinador tentou suborná-los para evitar a queixa formal.
• Suborno e Ameaça: Galvão chegou a oferecer uma sociedade em uma academia nos Estados Unidos como moeda de troca pelo silêncio da família, alertando que uma denúncia prejudicaria muitas pessoas.
• Padrão de Conduta: Outras duas ex-alunas formalizaram denúncias. Uma delas afirma que os abusos começaram quando ela tinha apenas 12 anos. Uma terceira vítima relatou controle excessivo sobre sua alimentação e promessas de vantagens esportivas em troca de proximidade física.
• Investigação em Curso: Novas denúncias informais surgiram após a divulgação do caso. A Justiça de São Paulo decretou a prisão temporária de Galvão por indícios de que ele estaria tentando suprimir provas e atrapalhar o trabalho policial.
Atualmente, o treinador responde por crimes de estupro de vulnerável, importunação sexual, ameaça e invasão de dispositivo informático. A defesa de Melqui Galvão sustenta sua inocência e afirma que o cliente está à disposição das autoridades para esclarecimentos. Para as vítimas, a formalização das denúncias representa a “vitória na luta mais difícil” de suas trajetórias, buscando impedir que novas jovens atletas passem pelo mesmo trauma no ambiente esportivo






