Furacão Político no Acre: Gladson Camelí é condenado a 25 anos de prisão pelo STJ

Embora a condenação seja pesada, a prisão não é imediata, pois ainda cabe recurso ao Supremo Tribunal Federal (STF).
furacao-politico-no-acre-glads

 

O cenário político do Acre e da região Norte sofreu um abalo histórico nesta quarta-feira (6). O Superior Tribunal de Justiça (STJ) condenou o ex-governador Gladson Camelí (PP) a uma pena de 25 anos e nove meses de prisão em regime inicial fechado. A decisão da Corte Especial foi contundente, apontando o envolvimento direto de Camelí em um esquema de organização criminosa, corrupção, peculato e fraude em licitações que drenou recursos públicos do estado.

Embora a condenação seja pesada, a prisão não é imediata, pois ainda cabe recurso ao Supremo Tribunal Federal (STF). No entanto, o impacto político é instantâneo: com a decisão de um órgão colegiado, Camelí entra na mira da Lei da Ficha Limpa, tornando-se inelegível por oito anos e vendo naufragar, ao menos momentaneamente, seus planos de disputar uma vaga no Senado.

Os Detalhes da Condenação

• Esquema Estruturado: A ministra relatora, Nancy Andrighi, destacou que as provas demonstram uma atuação organizada para direcionar contratos e desviar verbas estaduais.

• Placar na Corte: A maioria dos ministros acompanhou o voto da relatora pela pena máxima (25 anos e 9 meses). Houve divergência pontual do revisor, Luiz Otávio de Noronha, que sugeriu 16 anos, mas a tese mais rigorosa prevaleceu.

• Medidas Mantidas: O bloqueio de bens do ex-governador e a proibição de contato com outros investigados continuam em vigor.

A Reação de Camelí e da Defesa

Em nota oficial, Gladson Camelí afirmou receber a decisão com “serenidade” e reiterou sua confiança na Justiça, garantindo que recorrerá ao STF para preservar a vontade do eleitor acreano, afirmando que “ninguém pode ganhar no tapetão”.

Já sua defesa técnica aposta na anulação do julgamento. Os advogados sustentam que o STJ ignorou uma decisão anterior do ministro André Mendonça (STF), que teria invalidado parte das provas colhidas no início das investigações. Além disso, alegam que não houve oportunidade plena para o contraditório durante a sessão desta quarta-feira.

O Novo Cenário no Acre

Com a renúncia de Camelí em abril para tentar o Senado — manobra que agora se torna juridicamente incerta — e a assunção definitiva de Mailza Assis ao governo, o Acre vive um momento de transição sob a sombra de um dos maiores escândalos judiciais de sua história recente. O desfecho agora depende do STF, que dará a palavra final sobre a validade das provas e a manutenção da sentença que pode mudar o destino político da região por décadas.

Tags:
Compartilhar Post: