Calheiros bota pressão, aponta erro grave do Banco Central e confirma Galípolo na comissão do Senado sobre o escândalo do Master

O presidente da CAE não poupou críticas à gestão de Galípolo e subiu o tom ao comparar a atual situação do BRB com o colapso do Master
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O cerco político está se fechando em torno do Banco Central. O presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, senador Renan Calheiros (MDB-AL), confirmou de forma categórica que o presidente do BC, Gabriel Galípolo, comparecerá ao colegiado nesta terça-feira (19). O chefe da autoridade monetária terá de encarar um ambiente hostil e responder a acusações diretas de omissão e repetição de erros graves em relação ao sistema financeiro nacional.

A convocação de Galípolo ocorre após um adiamento estratégico na última sessão do dia 4 de maio, quando o presidente do BC cancelou sua participação em cima da hora alegando uma repentina “indisposição de saúde” que o levou a um hospital para ser medicado. Agora, recuperado, ele terá que enfrentar os senadores em uma reunião que promete pegar fogo.

De acordo com Renan Calheiros, a oitiva de Galípolo foi desenhada especificamente para responder às profundas preocupações dos parlamentares sobre riscos sistêmicos, governança bancária e a proteção de investidores. Contudo, o grande estopim da sessão de amanhã será a polêmica atuação do BC na fiscalização do BRB (Banco de Brasília) e suas conexões com o Banco Master.

“Mesmos erros”: Renan Calheiros dispara contra a diretoria do BC

O presidente da CAE não poupou críticas à gestão de Galípolo e subiu o tom ao comparar a atual situação do BRB com o colapso do Master:

“Pelo visto, o Banco Central está cometendo com relação ao BRB, de Brasília, os mesmos erros que cometeu com relação à liquidação do Banco Master. A liquidação do Master demorou muito, e hoje se sabe que três diretores do Banco Central já foram afastados por envolvimento com o Banco Master. Três diretores já foram afastados. Então, ao que parece, o Presidente Galípolo e sua diretoria estão cometendo, com relação ao BRB, de Brasília, os mesmos erros que o Banco Central cometeu com relação ao Master”, disparou Calheiros.

Os senadores operam em meio a fortes incertezas e desconfianças sobre o real papel desempenhado pelo Banco Central no processo de liquidação do Master, ocorrido em novembro de 2025. O comitê de parlamentares exige explicações imediatas sobre o sumiço ou atraso no envio de documentos fundamentais, além de cobrar respostas sobre o motivo de o BC ter ignorado alertas prévios de irregularidades na instituição controlada por Daniel Vorcaro muito antes de o colapso ser decretado. Embora as visitas de presidentes do BC à CAE sejam periódicas e previstas pela lei de independência do órgão de 2021, o tom desta audiência será puramente investigativo.

Ofensiva parlamentar e o “Grupo de Trabalho” contra fraudes

O escândalo das fraudes bilionárias conduzidas pelo ex-presidente do Banco Master, Daniel Vorcaro, provocou uma reação em cadeia no Congresso. A CAE instalou um grupo de trabalho exclusivo para investigar o caso, sob o comando direto de Renan Calheiros.

A ofensiva dos senadores ganhou tração institucional na última quarta-feira (13), quando o grupo se reuniu formalmente com o decano do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes. O objetivo do encontro foi articular e discutir alternativas de aperfeiçoamento da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), o órgão responsável por regular e fiscalizar o mercado de capitais no Brasil, buscando travar brechas que permitiram o avanço do esquema criminoso.

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