MPF reitera pedido de anulação de licença estadual e exige suspensão do Projeto Potássio Autazes no Amazonas

O documento protocolado na Justiça Federal aponta graves vícios de consentimento no processo de escuta das comunidades locais
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O Ministério Público Federal (MPF) apresentou suas alegações finais à 1ª Vara da Justiça Federal no Amazonas, reiterando o pedido de anulação das licenças ambientais concedidas ao Projeto Potássio Autazes. Na manifestação, o órgão defende que o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) não possui atribuição legal para licenciar a atividade, transferindo a competência exclusiva do caso ao Ibama. O parecer exige a paralisação imediata de qualquer pesquisa ou exploração mineral na região.

A argumentação central do MPF baseia-se no impacto direto do empreendimento sobre patrimônio da União e territórios tradicionais. De acordo com os relatórios técnicos, o complexo de mineração da empresa Potássio do Brasil está projetado a apenas 2,52 quilômetros da aldeia Soares e faz limite geográfico com a Terra Indígena Jauary, afetando diretamente o povo Mura.

Violação de tratados internacionais e pressão nas aldeias

O documento protocolado na Justiça Federal aponta graves vícios de consentimento no processo de escuta das comunidades locais, ferindo normativas das quais o Brasil é signatário:

  • Consulta tardia: O MPF alega que os direitos de consulta livre, prévia e informada — garantidos pela Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) — foram descumpridos, uma vez que as reuniões com as comunidades só ocorreram após a emissão da Licença Prévia pelo Ipaam.

  • Interferência corporativa: A manifestação cita episódios de pressão e interferência direta da mineradora no interior das aldeias com o objetivo de constranger as lideranças a assinarem termos de concordância, o que, segundo o órgão, invalida o processo de escuta.

Laudos periciais apontam inconformidades ambientais

Para robustecer as alegações finais, o MPF anexou relatórios técnicos multidisciplinares concluídos recentemente pela equipe pericial do órgão. Os laudos nas áreas de geologia, engenharia florestal, biologia e antropologia apontaram o seguinte cenário:

  • Defeitos formais: Presença de falhas metodológicas graves nos estudos de impacto ambiental apresentados pelo empreendimento.

  • Riscos biológicos: Subdimensionamento dos impactos sobre a flora, a fauna aquática e os recursos hídricos da bacia sedimentar do Rio Amazonas na região de Autazes.

Linha do Tempo: A tramitação da disputa judicial

O embate jurídico em torno da exploração de potássio no interior do Amazonas estende-se por uma década na Justiça Federal:

Ano de Referência Medida Judicial Adotada Status e Justificativa do Pleito
2016 Ajuizamento da Ação Civil Pública MPF aciona Potássio do Brasil, Funai e Ipaam questionando a competência do licenciamento estadual.
2024 Nova Ação de Suspensão Órgão federal contesta a emissão da Licença de Instalação (LI); pedido aguarda decisão da Justiça.
2025 Inclusão de Laudos Periciais Apresentação de perícias antropológicas e ambientais que atestam irregularidades nos estudos da empresa.
2026 Protocolo das Alegações Finais Reiterado o pedido de nulidade total do processo com base na Convenção 169 da OIT e na titularidade da União.

A Ação Civil Pública (nº 0019192-92.2016.4.01.3200) aguarda agora a manifestação das defesas dos órgãos citados e da mineradora para que o juízo da 1ª Vara Federal profira a sentença de mérito sobre a validade do projeto.

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