Indústria contesta prazo de transição e pressiona Senado para adiar debate sobre fim da escala 6×1

Presidente da CNI argumenta que prazo de 60 dias causará inflação imediata e defende tirar o projeto da pauta antes das eleições

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) posicionou-se de forma contundente contra a celeridade na tramitação da proposta que visa extinguir a jornada de trabalho na escala 6×1. O presidente da entidade, Ricardo Alban, criticou o prazo estipulado para a adaptação do setor produtivo e defendeu abertamente que o Senado Federal adie a votação da matéria, evitando que o tema seja deliberado durante o ano eleitoral.

A manifestação ocorreu durante entrevista ao painel econômico Mercado Aberto, onde o líder empresarial alertou para os riscos de desestruturação financeira, principalmente nas micro, pequenas e médias empresas do país.

Risco de inflação e repasse imediato para os preços

De acordo com o representante da indústria, o tempo de transição previsto no projeto inviabiliza qualquer planejamento de logística ou reengenharia de turnos nas fábricas. Alban aponta um efeito cascata na economia caso o texto seja aprovado nos termos atuais:

  • Incapacidade de absorção: O prazo de 60 dias após a promulgação é considerado curto demais para que as indústrias encontrem ganhos de eficiência interna capazes de compensar a redução de duas horas na jornada.

  • Repasse ao consumidor: Sem espaço para ajustes, o aumento do custo operacional será transferido diretamente para o preço final das mercadorias, alimentando a inflação.

  • Gargalo de contratações: Em um cenário que o executivo descreve como de pleno emprego, a escassez de profissionais disponíveis forçará o uso sistemático de horas extras, encarecendo ainda mais a folha de pagamento do comércio e da indústria.

A estratégia da CNI no Congresso Nacional

A principal meta da confederação no momento é atuar junto aos senadores para desacelerar o andamento da pauta e esvaziar o apelo político que o projeto ganhou nos últimos meses.

Linha de Ação Defendida pelo Setor Industrial
├── Meta Primária  -> Suspender as votações no Senado até o encerramento do pleito eleitoral.
├── Justificativa -> Evitar que o debate seja "contaminado" pelo populismo de véspera de eleição.
└── Plano B        -> Caso a votação ocorra, negociar uma transição gradual de longo prazo.

Para o comando da CNI, o calendário eleitoral cria um ambiente de pressão distorcido, no qual impera a narrativa de que parlamentares que votarem contra a redução da jornada sofrerão punição nas urnas. A entidade patronal defende que uma mudança estrutural nas relações trabalhistas do país necessita de previsibilidade e parcimônia, questionando o motivo do “açodamento” em se implementar a nova regra de forma abrupta em apenas dois meses.

Tags:
Compartilhar Post: