Briga, confusão e gritaria: Conselho do Corinthians aprova expulsão de Andrés Sánchez em sessão marcada por tumulto e bate-boca

Votação aberta garantiu exclusão de ex-presidente por 112 votos a 49 enquanto diretores foram retirados do plenário sob protestos
briga-confusao-e-gritaria-cons

Os bastidores políticos do Corinthians viveram uma das noites mais turbulentas de sua história recente no Parque São Jorge. O Conselho Deliberativo do clube aprovou a cassação do título de sócio e a consequente expulsão do ex-presidente Andrés Sánchez do quadro associativo. O placar final registrou 112 votos a favor da exclusão, 49 contrários e seis abstenções.

A reunião foi marcada por intensos questionamentos jurídicos, discussões ríspidas entre lideranças históricas e a retirada compulsória de membros da atual diretoria do plenário do salão social.

Divergências sobre o formato do julgamento e retirada da diretoria

O clima de tensão se estabeleceu antes mesmo da abertura das urnas. Aliados de Andrés Sánchez tentaram, sem sucesso, modificar o rito do julgamento conduzido por Leonardo Pantaleão, presidente em exercício do Conselho:

  • Pressão pelo voto secreto: O ex-presidente Mário Gobbi liderou a bancada de apoio a Andrés, exigindo que a votação ocorresse de forma secreta e que houvesse a opção de uma pena mais branda, como a suspensão temporária. Ambos os pedidos foram negados pela mesa diretora por falta de previsão no estatuto do clube.

  • Bate-boca e acusações: A insistência pelo voto fechado gerou um forte bate-boca generalizado entre Mário Gobbi e o conselheiro Marcos Ribeiro Caldeirinha, elevando a temperatura no salão minutos antes do início do pleito.

  • Diretoria barrada: O vice-presidente do Corinthians, Armando Mendonça, e outros diretores da gestão executiva foram impedidos de acompanhar a sessão e tiveram que deixar o plenário. Mendonça criticou publicamente a condução dos trabalhos, classificando a proibição como uma quebra de tradição e questionando o acúmulo de funções de Pantaleão, que também preside a Comissão de Ética do clube.

Estratégia de defesa e o impacto do voto nominal

A acusação foi apresentada pelo conselheiro Rodrigo Bittar, baseada no parecer da Comissão de Ética que recomendava o desligamento de Andrés. A defesa do ex-mandatário foi realizada pelo advogado Alexandre Imbriani, que focou seu discurso na aprovação prévia das contas do ex-presidente e contestou a legalidade das provas contidas no processo interno.

Resultado Detalhado da Votação no Conselho
├── Votos a Favor da Expulsão ---- 112 (Apoio ao parecer da Comissão de Ética)
├── Votos Contra a Expulsão ------ 49  (Alinhados à defesa de Andrés)
└── Abstenções Registradas ------- 06  (Votos neutros computados em ata)

Conselheiros presentes no Parque São Jorge avaliaram que a escolha pelo modelo de votação aberta e nominal foi determinante para o resultado expressivo. Segundo relatos internos, diversos membros que planejavam votar contra a punição mudaram de posicionamento na última hora para evitar a exposição pública de seus nomes perante a torcida e a imprensa, preferindo alinhar-se ao parecer de exclusão ou optar pela abstenção.

Festa e fogos da torcida nos arredores da sede social

Do lado de fora do Parque São Jorge, centenas de torcedores acompanharam a movimentação das principais lideranças políticas e demonstraram apreensão durante a primeira metade da noite, temendo manobras jurídicas que pudessem adiar a decisão.

Assim que o resultado oficial de 112 votos favoráveis à cassação foi anunciado nos alto-falantes, a aglomeração externa deu início a uma grande comemoração. Os torcedores utilizaram fogos de artifício, sinalizadores iluminados e jatos de espuma para celebrar a decisão do Conselho, associando o ato a uma espécie de “limpeza” na governança do clube. Os protestos e questionamentos levantados pela defesa foram devidamente registrados na ata da reunião e devem servir como base para que os advogados de Andrés tentem anular a votação na Justiça Comum nas próximas semanas.

Tags:
Compartilhar Post: