O diagnóstico da doença de Alzheimer, historicamente dependente de avaliações clínicas associadas a testes cognitivos e procedimentos invasivos — como a coleta de líquor por punção lombar —, passa por uma importante evolução tecnológica. Cientistas confirmaram a eficácia de uma nova geração de exames de sangue que utilizam biomarcadores para identificar os primeiros sinais da enfermidade de forma altamente precisa.
Apesar do avanço na neurologia, os especialistas fazem uma ressalva essencial: a ferramenta não foi desenvolvida para triagem ou rastreamento em pessoas saudáveis. O uso deve ser restrito e direcionado para casos em que já há suspeita clínica e algum grau de comprometimento cognitivo.
Como funciona o exame e qual a sua precisão?
O teste analisa proteínas específicas presentes na corrente sanguínea que atuam como marcadores patológicos do Alzheimer:
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Beta-amiloide: Responsável por formar placas que se acumulam no tecido cerebral ao longo do avanço da doença.
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Tau fosforilada 217: Proteína diretamente associada à degeneração dos neurônios e à progressão do quadro neurodegenerativo.
Segundo o neurologista Aurélio Pimenta Dutra, do Grupo Fleury, a implementação da espectrometria de massa de alta precisão nos laboratórios elevou a confiabilidade do exame de sangue, conferindo-lhe uma acurácia de 0,98 na comparação com o PET-amiloide cerebral (exame de imagem considerado padrão). Além da precisão equivalente, o exame de sangue oferece a vantagem de poder ter a amostra coletada em qualquer região do país e enviada para análise, dispensando os equipamentos sofisticados e custos extremos do PET, ou os profissionais ultraespecializados exigidos na coleta do líquor.
Por que o exame não deve ser feito por pessoas sem sintomas?
Pesquisas internacionais indicam que as alterações biológicas do Alzheimer podem se manifestar no organismo entre 15 e 20 anos antes do surgimento dos primeiros sintomas clínicos. No entanto, receber um resultado positivo em uma fase assintomática pode gerar um dilema médico complexo.
Riscos do Uso Indiscriminado em Pacientes Assintomáticos
├── Falta de Conduta Médica ──> A medicina ainda não sabe como intervir em pacientes positivos sem sintomas.
└── Incerteza do Quadro ──────> Ter o biomarcador precocemente não garante que a pessoa desenvolverá demência.
Diagnóstico precoce atrelado a novos tratamentos
A necessidade de se identificar a doença em estágios iniciais ganhou relevância com a aprovação, pela Anvisa no ano de 2025, de medicamentos inovadores que combatem os depósitos da proteína beta-amiloide no cérebro: o donanemabe (aprovado em abril) e o lecanemabe (aprovado em dezembro).
Como essas terapias não costumam demonstrar benefícios em pacientes que já se encontram nas fases moderada ou avançada da doença, o diagnóstico precoce tornou-se o caminho para viabilizar o tratamento, além de oportunizar o planejamento familiar e financeiro do paciente.
Atualmente, o exame de sangue para o Alzheimer é restrito à rede privada, não possui cobertura obrigatória pelos planos de saúde e tem custo estimado em R$ 3.500. A expectativa da comunidade médica é de que, com o aumento das evidências científicas e a consequente ampliação do uso clínico, os custos financeiros sofram redução progressiva ao longo do tempo.






