MANAUS — A Polícia Federal (PF), em ação conjunta com o Ministério Público do Amazonas (MPAM), deflagrou na manhã desta terça-feira (9) a Operação Piloto de Fuga na capital amazonense. O principal alvo da ação foi o investigador da Polícia Civil Luciano Granjeiro, preso preventivamente sob a acusação de atuar como o motorista de uma viatura oficial da instituição utilizada para transportar uma carga milionária de ouro roubado.
A ofensiva cumpre, além da prisão, quatro mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal. Um dos endereços vistoriados pelos agentes federais foi o 1º Distrito Integrado de Polícia (DIP), delegacia localizada na zona sul de Manaus onde Granjeiro exercia suas funções habituais.
O inquérito é um desdobramento direto da Operação Auxílio Criminoso, deflagrada em 29 de maio, e busca identificar o restante do braço logístico da organização criminosa.
A dinâmica do ‘arrocho’ e a rota do minério
As investigações da PF revelam que os agentes de segurança pública envolvidos na fraude operavam em um esquema conhecido no jargão policial como “arrocho” — o ato de interceptar e roubar carregamentos de mercadorias ilícitas pertencentes a facções ou contrabandistas concorrentes.
Rota de Escoamento da Organização Criminosa
├── 1. Extração ──────> Ouro ilegal extraído em garimpos no estado do Pará.
├── 2. Interceptação ─> Carga chegava a Manaus (AM) e sofria o "arrocho" por policiais civis/militares.
└── 3. Destino Final ─> Envio terrestre a Roraima para posterior exportação ilegal ao exterior.
De acordo com o delegado da Polícia Federal, Jonathans Simas, a engrenagem contava com uma divisão clara de tarefas: um núcleo de agentes do Estado realizava o roubo do metal valioso com o aparato oficial, enquanto um grupo de civis assumia a estocagem e o transporte para fora do Amazonas. Nesta fase, a PF também realizou buscas na residência de um advogado, suspeito de queimar arquivos e ocultar evidências para proteger a quadrilha.
Histórico: Apreensão recorde de R$ 50 milhões
O caso teve início em outubro de 2025, naquilo que se consolidou como a maior apreensão de ouro da história do estado do Amazonas. Naquela oportunidade, as forças de inteligência interceptaram 77 quilos de ouro clandestino, avaliados em aproximadamente R$ 50 milhões.
Durante a primeira fase da operação, três policiais (dois militares e um civil) foram presos em flagrante dentro de uma residência em Manaus no exato momento em que tentavam render os transportadores para subtrair o metal. Com a captura de Luciano Granjeiro, as autoridades fecham o cerco contra o quarto integrante do núcleo operacional de farda. Os investigados responderão pelos crimes de roubo qualificado, associação criminosa armada, usurpação de bens pertencentes à União e fraude processual.
Contraponto e posicionamento das instituições
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A defesa de Luciano Granjeiro: Em nota oficial, os advogados do investigador negaram as acusações, classificando o mandado de prisão como uma medida baseada em “suposições genéricas”. A banca jurídica afirmou possuir provas robustas, incluindo relatórios de geolocalização e imagens de vídeo, que comprovam que o policial estava trabalhando em local diverso no momento do crime, sem qualquer vínculo com os episódios sob investigação.
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A Polícia Civil do Amazonas (PC-AM): A instituição ressaltou que não tolera desvios de conduta em seus quadros funcionais e que forneceu cópias de livros de plantão e dados de rastreamento de viaturas para colaborar com a PF. O caso foi repassado à Corregedoria-Geral do Sistema de Segurança Pública para a abertura de um processo administrativo disciplinar que pode resultar na demissão do servidor.






