MANAUS — O Ministério Público do Amazonas (MPAM) realizou, nesta terça-feira (9), uma visita institucional e técnica à Unidade de Vigilância de Zoonoses (UVZ) — antiga estrutura conhecida como Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) Dr. Carlos Durand —, localizada na capital amazonense.
A ação, liderada pelo Comitê de Bem-Estar Animal do MP, teve como foco central a fiscalização, o fortalecimento e a integração de políticas públicas voltadas ao controle populacional de cães e gatos, além da contenção de zoonoses, com atenção urgente ao surto epidêmico de esporotricose na região.
O encontro reuniu representantes estratégicos da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) e da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas) para mapear os gargalos operacionais no atendimento e manejo dos animais.
Esporotricose: O maior desafio de saúde pública local
Durante a inspeção das alas da UVZ, a esporotricose foi classificada pelas autoridades sanitárias como um dos problemas mais complexos de saúde coletiva em atividade no estado do Amazonas. Trata-se de uma micose profunda, causada por fungos do gênero Sporothrix, que se desenvolve na pele e pode ser transmitida entre animais e seres humanos.
Ciclo de Transmissão Ocupacional e Doméstica da Esporotricose
├── 🌿 Fonte Natural ──> Fungo presente no solo, palhas, espinhos e madeiras.
├── 🐱 Vetor Principal ─> Gatos se infectam ao arranhar a terra e desenvolvem feridas na pele.
└── 🧍 Transmissão ─────> Contato com secreções, arranhões ou mordidas do felino doente para humanos.
O gerente da UVZ e médico veterinário, Rodrigo Araújo, explicou que a principal barreira em Manaus, atualmente, reside na descentralização e no conflito de competências administrativas.
“Hoje, estamos no enfrentamento da esporotricose, uma zoonose grave presente em todo o Brasil. Em Manaus, ainda temos dificuldades para definir as atribuições de cada setor e identificar quem já está atuando e os que precisam avançar nesse trabalho. Por isso, a presença do Ministério Público é muito importante para fortalecer as ações e contribuir com a articulação entre os órgãos envolvidos”, informou o veterinário.
Próximos passos e a agenda de guarda responsável
A coordenadora do comitê e procuradora de Justiça, Neyde Regina Demósthenes Trindade, destacou que o papel do Ministério Público será o de atuar como um agente mediador e fiscalizador, forçando o desenho de um fluxo unificado de atendimento que delimite as obrigações da Semsa (saúde e monitoramento de vetores) e da Semmas (fiscalização ambiental e de maus-tratos).
Além do combate direto ao fungo, a UVZ apresentou as frentes de trabalho voltadas para o manejo populacional ético. O órgão defende que o controle de natalidade por meio de mutirões de castração e o fomento a campanhas de guarda responsável (focadas em combater o abandono e manter os animais domiciliados, sem acesso à rua) são as únicas ferramentas capazes de reduzir, no longo prazo, a curva de transmissão de doenças e o índice de agressões em vias públicas.






