Caso Master: Alcolumbre e Rui Costa entram na mira das revelações de Daniel Vorcaro

Proposta de delação do ex-banqueiro detalha suposta propina de US$ 30 milhões ao presidente do Congresso e negócios do Banco Master com o PT na Bahia; relator no STF, André Mendonça, cobra investigação "não seletiva"
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Foto: Reprodução

BRASÍLIA — O escândalo financeiro do Banco Master — que registra um rombo estimado em mais de R$ 50 bilhões — alcançou o coração do governo federal e a cúpula do Poder Legislativo. O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso há três meses no âmbito da Operação Compliance Zero, incluiu em suas propostas de delação premiada acusações bombásticas contra o presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e contra o ex-chefe da Casa Civil do governo Lula, Rui Costa (PT).

As revelações, obtidas pela revista VEJA, detalham como a meteórica ascensão da instituição financeira foi pavimentada por uma intrincada rede de influência que unia mimos de luxo, trânsito nos Três Poderes e transações heterodoxas com figuras de proeminência da esquerda à direita.

As Duas Novas Frentes de Denúncia

As tratativas de colaboração de Vorcaro com os investigadores abriram capítulos inéditos e específicos sobre a atuação de caciques políticos em Brasília e no Nordeste:

As Novas Revelações de Daniel Vorcaro
├── 🇺🇸 Caso Alcolumbre ──> Suposto repasse de US$ 30 milhões em conta secreta no exterior.
├── 📐 Elo com o Amapá ───> Fundo estadual comprou R$ 400 milhões em "títulos podres" do Master.
└── 🛒 PT da Bahia ──────> Manobra no consignado "CredCesta" blindou o banco contra concorrência.

1. O Suposto Repasse de US$ 30 Milhões a Davi Alcolumbre

Segundo a proposta de confissão de Vorcaro, o senador Davi Alcolumbre teria recebido um pagamento de 30 milhões de dólares (cerca de R$ 155 milhões) em uma conta secreta no exterior. O valor teria sido transferido a pedido do banco em troca do apoio político do parlamentar a demandas de interesse do Master em Brasília. A transação teria sido operada por Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro.

A conexão com o senador ganha contornos mais graves com o dado de que o regime de previdência dos servidores do Amapá (base eleitoral de Alcolumbre) aportou R$ 400 milhões em títulos podres do Master, sob a gestão de um ex-tesoureiro da campanha do próprio parlamentar. Alcolumbre nega veementemente as acusações, classificou-as como falsas e anunciou que acionará a Justiça contra o ex-banqueiro.

2. O Cartão Consignado e o PT Baiano

Vorcaro também se prontificou a detalhar as engrenagens de seus negócios na Bahia, que começaram em 2007 no governo de Jaques Wagner com a “Cesta do Povo” e atingiram o ápice na gestão de Rui Costa em 2022.

A estrutura do CredCesta tornou-se uma das maiores operações de crédito consignado para servidores públicos do estado. Vorcaro aponta que um decreto assinado pela gestão de Rui Costa blindou o Banco Master ao restringir a portabilidade dessas dívidas para outras instituições financeiras, garantindo o monopólio da operação. Rui Costa nega qualquer envolvimento em irregularidades.

Guerra de Versões e Alerta de Mendonça no STF

A validação do acordo de delação de Vorcaro, no entanto, transformou-se em uma verdadeira guerra de bastidores entre a defesa do réu, a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR).

  • A versão da PF: Os delegados acusam o banqueiro de tentar usar a delação para inocentar comparsas e blindar amigos próximos. Os investigadores apontam que os primeiros anexos traziam omissões deliberadas e contradiziam as provas obtidas por quebras de sigilo e perícias nos celulares de Vorcaro. Além disso, o vazamento do teor das conversas para terceiros irritou as autoridades.

  • A versão da Defesa: Os advogados de Vorcaro alegam que a rejeição das propostas tem motivação estritamente política. A defesa fez chegar ao gabinete do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), a reclamação de que a PF e a PGR estariam operando para abafar e descartar denúncias de peso que envolvem o Legislativo e membros de alto escalão do Judiciário (incluindo o suposto suborno de R$ 15 milhões a um magistrado pago por Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro).

Diante do tensionamento, o ministro André Mendonça enviou um recado explícito aos condutores do inquérito. Em conversas com interlocutores, o magistrado afirmou estar vigilante contra pressões e sinalizou que o trabalho técnico da força-tarefa deve ser conduzido com “independência, imparcialidade e de forma não seletiva”.

O Efeito Cascata na Corrida de 2026

O avanço das investigações do caso Master atinge de forma transversal os principais blocos partidários do país, gerando constrangimentos múltiplos em pleno ano eleitoral:

  • Impacto na Direita: O escândalo provocou abalos diretos na pré-campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A divulgação de um áudio no qual Flávio pede dinheiro a Vorcaro para financiar o filme Dark Horse estancou a trajetória de crescimento do parlamentar nas pesquisas de intenção de voto, impulsionando seus adversários diretos.

  • Impacto na Esquerda: Além do elo com o PT baiano, os arquivos expõem contratos de prestação de serviços de R$ 10 milhões com o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, que chegou a intermediar uma audiência de Vorcaro com o presidente Lula e o futuro chefe do Banco Central, Gabriel Galípolo, no Palácio do Planalto, em dezembro de 2024.

Embora o staff do governo e a oposição ressaltem que a realização de audiências ou contratos de consultoria não configurem crime por si só, o volume do rombo e a capilaridade das negociatas consolidam o caso Master como o principal centro de gravidade e de desgaste da crônica política em 2026.

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