FLORIANÓPOLIS — A morte do advogado Rodrigo Pantaleão, cujo corpo foi localizado na última quinta-feira (25 de junho de 2026) no bairro Itacorubi, em Florianópolis, trouxe à tona uma série de desdobramentos incomuns nos bastidores do Judiciário catarinense. Pantaleão havia assumido a defesa de um réu por tráfico de drogas logo após a defensora inicial do caso, a advogada Gabriela Vieira Serafin — conhecida na internet como “advogata” —, precisar abandonar o processo por ter se tornado alvo de um mandado de prisão pelo mesmo crime.
Pantaleão ganhou repercussão jurídica nacional no final de maio, após protagonizar uma cena atípica na 3ª Vara Criminal da capital: durante as alegações finais de uma audiência, ele se manteve ao celular e, ao ser instado pela magistrada, concordou integralmente com a denúncia do Ministério Público que pedia a condenação do próprio cliente.
A Sucessão dos Defensores e o Caso de Origem
O processo penal que interligou os dois advogados teve início em 12 de fevereiro, quando um homem de 36 anos foi preso em flagrante no bairro Sambaqui portando 30 porções de cocaína e munição de arma de fogo. A prisão foi convertida em preventiva e a defesa foi inicialmente assumida por Gabriela Serafin.
No entanto, em abril, a advogada teve a prisão decretada sob a acusação de integrar o núcleo de liderança de uma organização criminosa voltada ao tráfico na região da Tapera, em Florianópolis. Após passar semanas foragida, Gabriela foi capturada na última semana. Com a destituição da advogada, Rodrigo Pantaleão assumiu a representação do réu.
Durante a audiência do dia 28 de maio, diante da manifestação de Pantaleão de que “a defesa corrobora com as afirmações exaladas pela promotoria”, a juíza Carolina Ranzolin declarou o réu oficialmente indefeso para garantir a lisura constitucional do processo. O réu segue detido e responde por tráfico de drogas, resistência e porte de arma com numeração raspada.
Investigação Policial e a Atuação da OAB-SC
O corpo de Rodrigo Pantaleão foi descoberto por vizinhos que acionaram as autoridades devido ao forte odor vindo do interior do seu apartamento. De acordo com o delegado Alex Bonfim, da Delegacia de Homicídios, a principal linha de investigação inicial aponta para morte natural, uma vez que a Polícia Militar não encontrou sinais de arrombamento, desalinho ou invasão na residência. Dois cães de grande porte que estavam isolados no imóvel foram resgatados pela Diretoria de Bem-Estar Animal (Dibea).
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/SC), por meio de seu presidente Juliano Mandelli, informou que acompanha de perto o inquérito policial e aguarda o laudo necroscópico do Instituto Médico Legal (IML).
“Se houver qualquer indício de que o crime tenha relação com o exercício da advocacia, a OAB/SC tratará o caso com a seriedade que ele exige e cobrará a responsabilização dos envolvidos”, destacou a seccional em nota oficial, cobrando celeridade e transparência na apuração do caso.
Quem é Gabriela Serafin, a “Advogata”
Com mais de 32 mil seguidores nas redes sociais, Gabriela Vieira Serafin, de 29 anos, exibia uma rotina ativa como criminalista de suspeitos de tráfico de drogas, utilizando gírias e abordagens informais para explicar termos do direito penal. Pós-graduada em investigação criminal e segurança pública, ela atuava na área desde 2020 e chegou a prestar serviços voluntários na Defensoria Pública do Estado antes de ser investigada e presa por suposto envolvimento com facções locais.






