Damares Alves rebate Paulo Figueiredo: “Não me escondo atrás de computador”

Senadora reage após jornalista ironizar sua dúvida sobre presença em evento de mulheres conservadoras: “Enfrento o mal de frente, não atrás de um computador”
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BRASÍLIA — O clima de racha no ninho da direita ganhou mais um capítulo público e acalorado neste final de semana. A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) utilizou suas redes sociais neste domingo (28) para responder de forma contundente às ironias feitas pelo jornalista Paulo Figueiredo. O desentendimento começou após a parlamentar declarar que ainda estava “orando” para decidir se compareceria a um evento de mulheres conservadoras organizado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL).

Figueiredo, que é um aliado alinhado aos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro, usou as redes sociais para questionar a hesitação de Damares. O jornalista sugeriu que a senadora não pensaria duas vezes caso o convite tivesse partido de lideranças da esquerda. “Se fosse da Janja ou da Maria do Rosário, estariam todas unidas, certo?”, disparou ele.

“Não me escondo atrás de computador”

A resposta de Damares veio em tom de forte desabafo e confronto direto. A ex-ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos desafiou o jornalista e afirmou que sua trajetória política é construída no embate real, e não no mundo digital.

“Olá Paulo Figueiredo, prazer sou a senadora Damares! Acho que você não me conhece. Deixa me apresentar melhor (…). Sou aquela mulher que não fica atrás de um computador, mas encara as lutas e demandas em pé, olhando nos olhos dos adversários”, rebateu a parlamentar.

Na mesma publicação, Damares fez questão de lembrar que foi escolhida por Jair Bolsonaro para o ministério e encerrou a mensagem convidando o jornalista a visitar seu gabinete em Brasília para entender o que chamou de “batalha contra o mal de verdade”. “Venha mesmo me visitar, mas só venha se tiver coragem pois aqui as batalhas são reais. Estou lhe esperando. Que Deus o abençoe!”, concluiu.

O Contexto da Crise: A “Punhalada” de Michelle

O bate-boca público entre a senadora e o jornalista não acontece no vácuo. Ele é o reflexo direto de um terremoto político que sacudiu os bastidores do Partido Liberal (PL) nos últimos dias. A crise estourou após a ex-primeira-dama e presidente do PL Mulher, Michelle Bolsonaro, publicar um vídeo de 27 minutos expondo ter sido maltratada e “humilhada” por Flávio Bolsonaro durante uma ligação telefônica.

Xadrez da Crise no Ceará
├── 🛑 A Linha Vermelha ──> Michelle acusa ala do PL de negociar aliança com Ciro Gomes (PSDB) no 1º turno.
├── 🤝 O Racha Local ─────> Michelle defende Eduardo Girão (Novo); ala de Flávio articula outra composição.
└── ⚠️ Espaço Feminino ───> Ex-primeira-dama critica tentativa de rifar a candidatura de Priscila Costa (PL) ao Senado.

No vídeo, Michelle classificou a atitude do enteado como uma “punhalada” e revelou que o senador a mandou ficar fora das decisões partidárias por “não entender de política”. O estopim da briga familiar foi a articulação do PL no Ceará. Enquanto Michelle defende o apoio ao senador Eduardo Girão (Novo) ao governo e quer garantir a candidatura da vereadora evangélica Priscila Costa ao Senado, a ala de Flávio Bolsonaro vinha costurando uma aproximação pragmática com o grupo político de Ciro Gomes (PSDB), histórico adversário do bolsonarismo.

O racha isolou Flávio Bolsonaro em duas de suas principais bases eleitorais — as mulheres e os evangélicos —, tornando o evento de mulheres conservadoras uma tentativa de contenção de danos que, agora, sofre com o boicote velado e as dúvidas de grandes caciques do movimento, como a própria Damares Alves.

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