SÃO PAULO — O que deveria ser um ato de proteção familiar terminou em uma execução brutal em Santo André, no ABC paulista. O autônomo André Mancini de Souza, de 36 anos, foi assassinado a tiros no início da noite da última terça-feira (30 de junho de 2026) bem em frente à Escola Estadual Padre Aristides Greveno, localizada na Vila Camilópolis.
A vítima havia ido até a instituição de ensino acompanhada da esposa e da cunhada para escoltar a sobrinha adolescente, que vinha sofrendo ameaças e agressões físicas de duas colegas de classe. O suspeito dos disparos, identificado como Aldeir, fugiu logo após o crime, mas acabou preso na noite desta quarta-feira (1º de julho) após se apresentar à polícia.
Da Briga de Adolescentes ao Tumulto Generalizado
A tragédia começou a se desenhar dias antes, quando a sobrinha de André relatou ter sido agredida por duas alunas de 11 e 13 anos. Com medo de novos ataques na saída do turno, a estudante implorou para que os tios e a mãe fossem buscá-la.
Ao chegarem na porta da escola, os familiares da jovem depararam-se com uma das supostas agressoras. O bate-boca escalou rapidamente para agressões verbais e físicas. Funcionários do colégio tentaram conter os ânimos, mas a situação fugiu do controle, gerando uma confusão generalizada na calçada da instituição.
Defesa da Esposa e Execução Covarde
No meio do empurra-empurra, o motociclista Aldeir, que passava pela rua, resolveu se intrometer na confusão de forma violenta. Munido de um capacete, ele passou a desferir golpes contra as mulheres da família, atingindo diretamente a esposa de André. Ao ver a companheira ser agredida, André Mancini interveio para protegê-la, iniciando uma intensa troca de socos com o motoqueiro.
Humilhado na briga corporal, o agressor subiu em sua motocicleta preta, deixou o local e retornou minutos depois portando uma arma de fogo. Sem dar chances de defesa, o criminoso efetuou disparos que atingiram o tórax e a virilha de André. Imagens chocantes obtidas pela coluna mostram o desespero de testemunhas e familiares ao redor do homem caído na calçada. Ele chegou a ser socorrido a um hospital da região, mas não resistiu aos ferimentos.
Suspeito tem Passagens Criminais
Aldeir permaneceu foragido por pouco mais de 24 horas, apresentando-se no 2º Distrito Policial de Santo André apenas na noite de quarta-feira, já acompanhado por um advogado.
Em seu depoimento à Polícia Civil, o homem tentou justificar a barbárie alegando que agiu por impulso. Ele afirmou que apenas passava de moto quando viu o que considerou uma “injustiça contra uma das partes” envolvidas na briga escolar e que usou o capacete para “conter” a situação. Ele omitiu detalhes sobre o momento em que buscou a pistola para executar a vítima. A farsa do “cidadão de bem”, no entanto, ruiu rapidamente: os investigadores confirmaram que o atirador já possui outras duas passagens criminais anteriores. Aldeir teve a prisão decretada e responderá por homicídio qualificado.






