MUNDO – A proposta da Fifa de negociar uma fatia dos direitos comerciais da Copa do Mundo provocou uma crise sem precedentes na cúpula da entidade nesta sexta-feira (31 de julho). Carlos Cordeiro, assessor sênior do presidente Gianni Infantino e ex-vice-presidente da Federação de Futebol dos EUA, renunciou ao cargo com efeito imediato em protesto contra o projeto, classificando a medida como “um mau negócio para o futebol”.
A renúncia ocorre em meio à escalada de tensão com as confederações continentais. As 55 associações filiadas à Uefa votaram por unanimidade a favor do boicote a todas as competições organizadas pela Fifa. A resistência ganhou a adesão de outras frentes: a Concacaf (América do Norte, Central e Caribe) rejeitou formalmente o projeto, enquanto a Confederação Asiática de Futebol (AFC) divulgou nota em solidariedade aos europeus.
A Proposta: $20 Bilhões e Fundo Privado
O plano da Fifa prevê a criação de uma empresa subsidiária avaliada em US$ 20 bilhões (cerca de R$ 101 bilhões), batizada de Fifa Forward Enterprise (FFE), para gerir a Copa do Mundo e outros eventos oficiais. A entidade pretende vender até 20% das ações dessa nova empresa a investidores privados.
O consórcio comprador seria liderado pelo fundo Thrive Eternal, braço da Thrive Capital, fundada por Joshua Kushner. Como incentivo para a aprovação do projeto em votação agendada para setembro, Infantino prometeu o repasse direto de US$ 40 milhões (aproximadamente R$ 202 milhões) a cada uma das 211 associações nacionais filiadas.
Reação da Cúpula e Posição das Entidades
Em comunicado oficial, Cordeiro afirmou ter sido excluído da elaboração do texto e criticou duramente a gestão do futebol global:
“A Fifa está hipotecando o futuro do futebol sem qualquer justificativa convincente. É um mau negócio para as associações-membro, para o futebol e para o futuro de longo prazo do esporte.” — Carlos Cordeiro, ex-assessor sênior da Fifa.
A diretoria da Fifa rebateu as críticas, afirmando que a oposição decorre de “reportagens incorretas” e assegurou que o processo consultivo prosseguirá de forma democrática. A entidade defende que a criação da FFE garantirá um investimento de fomento financeiro sem precedentes para o desenvolvimento do esporte globalmente.






