Influenciador Rico Melquíades é investigado por suspeita de coação eleitoral nas redes sociais 

Ministério Público Eleitoral em Alagoas aciona a Polícia Federal após vídeo em que o criador de conteúdo sugere demissão de funcionárias que votem no PT.

O Ministério Público Eleitoral em Alagoas (MPE-AL) instaurou um procedimento investigativo para apurar a conduta do influenciador digital Rico Melquíades por suspeita da prática de coação eleitoral. O caso decorre da publicação de um vídeo em suas plataformas digitais no último sábado (12), no qual o criador de conteúdo questiona quatro mulheres apresentadas como suas funcionárias sobre quem é o pagador de seus salários, afirmando na sequência que demitiria quem votasse em candidatos do Partido dos Trabalhadores (PT).

Diante dos fatos, o MPE-AL determinou o encaminhamento do material periciado à Polícia Federal para a abertura de inquérito na esfera criminal. A conduta apurada enquadra-se preliminarmente no artigo 301 do Código Eleitoral (Lei nº 4.737/1965), que tipifica como crime o uso de ameaça ou violência com o objetivo de coagir a escolha política do eleitor, prevendo pena de até quatro anos de reclusão e pagamento de multa.

O procurador regional eleitoral em Alagoas, Marcial Duarte Coêlho, destacou que o episódio não pode ser tratado como mero conteúdo humorístico, uma vez que decorre de uma relação de assimetria de poder e dependência econômica entre empregador e trabalhadores. A procuradoria enfatizou que o uso de empregos ou vencimentos como meio para direcionar ou constranger o voto viola diretamente a liberdade e o sigilo do sufrágio.

A representação segue em tramitação para apuração de responsabilidade perante a Justiça Eleitoral. O influenciador digital não retornou aos contatos da reportagem para se manifestar sobre as apurações até o momento da publicação.

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