O britânico Martyn Kurrant, de 46 anos, sofreu graves complicações de saúde e risco de morte após viajar a Istambul, na Turquia, para submeter-se a um tratamento odontológico estético e reparador. Buscando custos reduzidos em relação aos orçamentos recebidos no Reino Unido, o paciente realizou intervenções que incluíram nove implantes e 28 coroas, mas desenvolveu um quadro severo de infecção cerebral meses após a primeira etapa cirúrgica.
Três meses depois dos procedimentos iniciais de enxerto ósseo e extrações, Kurrant apresentou dores faciais e secreções nasais, culminando em convulsões e perda de consciência. Exames de imagem identificaram um empiema subdural — acúmulo de pus entre as membranas que envolvem o cérebro. O britânico passou por oito semanas de internação e cinco cirurgias de emergência, incluindo a remoção temporária de parte do crânio, a instalação de uma placa de titânio e intervenções nos seios da face, resultando em limitações motoras, afasia e incapacidade laboral.
O paciente abriu uma ação judicial na Turquia contra a Lema Dental Clinic e o cirurgião responsável, pleiteando cerca de R$ 1,39 milhão por danos morais, perda de renda e despesas médicas. A defesa sustenta que a intervenção foi realizada a despeito de um abscesso infectado informado previamente. Em contrapartida, a clínica nega negligência, afirmando que os procedimentos foram executados por profissionais habilitados mediante consentimento prévio e que não possuem relação causal com os problemas neurológicos diagnosticados.






