TV Globo cancela último debate presidencial do 1º turno após sucessão de decisões judiciais

Decisões do TSE e do STF alteraram as regras combinadas com os partidos a poucas horas da transmissão, levando a emissora a suspender o encontro por razões de segurança jurídica e liberdade de imprensa.

A TV Globo cancelou o debate presencial entre os candidatos à Presidência da República que estava programado para ir ao ar na noite de quinta-feira, 1º de outubro. O evento seria o último confronto televisivo antes do primeiro turno das Eleições 2026, marcado para o domingo (4). Candidatos que já estavam nos estúdios da emissora, como Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante) e Romeu Zema (Novo), foram informados do cancelamento pouco antes do horário previsto para o início.

O estopim para a decisão da emissora foi uma sequência de liminares proferidas por instâncias superiores que desorganizaram as regras previamente aceitas por todas as coligações. A primeira determinou a invalidação do trecho do regulamento que previa a manutenção de um púlpito vazio com o nome do candidato ausente, atendendo a um pedido da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que optou por não comparecer. A decisão da ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), também vedou que os participantes presentes fizessem perguntas direcionadas ao postulante ausente.

Paralelamente, disputas jurídicas sobre o critério de representatividade partidária para a presença no debate alteraram a lista final de convidados. Enquanto o presidente do TSE, ministro Nunes Marques, determinou a inclusão do candidato Romeu Zema (Novo) no programa, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), atendeu ao recurso que obrigava a emissora a assegurar a participação de Renan Santos (Missão).

Em nota oficial, a TV Globo alegou que o conjunto de interferências judiciais de última hora rompeu o acordo firmado em ata com as representações partidárias, gerou “insegurança jurídica” e violou a autonomia das regras editoriais do canal. Foi a primeira vez desde as eleições de 2002 que a emissora deixou de realizar o tradicional debate de encerramento do primeiro turno das eleições presidenciais.

Com a suspensão do programa jornalístico, a grade de programação da emissora foi ajustada para exibir um capítulo estendido de sua novela das nove. Os candidatos presentes criticaram as reviravoltas judiciais e a ausência do postulante à reeleição, enquanto analistas políticos e juristas debateram os limites das intervenções do Poder Judiciário nos regramentos internos de debates organizados pelos meios de comunicação.

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