Defesa de Daniel Vorcaro e Polícia Federal negam depoimento sobre repasse de R$ 30 milhões para filme sobre Lula

Publicação da revista Veja apontava suposto áudio do ex-banqueiro sobre financiamento de documentário, mas órgãos oficiais e advogados contestam a autenticidade e a existência de delação premiada.

A divulgação de relatos atribuídos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, reacendeu controvérsias no cenário político ao mencionar um suposto repasse de R$ 30 milhões em espécie para o Instituto Lula. De acordo com reportagem publicada pela revista Veja nesta sexta-feira (9), os valores teriam sido destinados ao financiamento do documentário sobre o presidente da República, dirigido pelo cineasta Oliver Stone e lançado em 2024, em troca de facilidades de acesso a fundos de pensão federais. A defesa do empresário, contudo, emitiu nota oficial repudiando o vazamento de materiais atrelados a tratativas de colaboração que jamais foram homologadas, ressaltando que não reconhece a integridade, a origem ou a autenticidade dos áudios e documentos citados.

Tanto a Polícia Federal quanto a Procuradoria-Geral da República (PGR) vieram a público desmentir a existência de depoimento formal prestado por Vorcaro com esse teor. A PF informou oficialmente que não recebeu anexos, depoimentos ou elementos de prova contendo acusações sobre repasses financeiros direcionados à produção cinematográfica. Por sua vez, a PGR esclareceu que a proposta de delação premiada apresentada pela defesa do ex-banqueiro foi rejeitada ainda em junho de 2026, após a própria Polícia Federal recusar versões anteriores do acordo por falta de indícios mínimos de credibilidade e ausência de suporte probatório.

A repercussão do caso gerou reações no meio jurídico e partidário. O grupo de advogados Prerrogativas acionou a Polícia Federal pedindo a apuração de uma eventual articulação para utilizar relatos sem comprovação com finalidades de desgaste eleitoral. Em tom semelhante, representantes do Partido dos Trabalhadores e a campanha governista classificaram o episódio como uma farsa criada para produzir impacto político, enfatizando a ausência de qualquer registro do alegado depoimento nos autos das investigações oficiais mantidas pelas autoridades competentes.

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