Mensagens de texto obtidas por investigações e entregues à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) revelam que o Banco Master recusou participar de uma operação financeira da securitizadora Virgo — posteriormente renomeada para Riza Securitizadora — que mais tarde se desdobrou em um esquema de fraude milionária no mercado de capitais. O empresário Ivo Kos, de 48 anos, dono da securitizadora e preso desde agosto por agredir brutalmente a esposa em São Paulo, buscou o banco para estruturar e distribuir a primeira série de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI BTS BH), com valor de R$ 130 milhões, voltados ao financiamento de uma obra do grupo Oncoclínicas em Belo Horizonte (MG).
Na ocasião, em maio do ano passado, o mercado considerou a operação de alto risco, e o Banco Master — então presidido por Daniel Vorcaro — rejeitou a proposta. Sem conseguir alocar os títulos junto a investidores institucionais, a cúpula da Virgo instrumentalizou um esquema de desvio de recursos: retirou fundos de reserva de 76 patrimônios separados de outros CRIs e CRAs de terceiros para simular a compra integral dos papéis pelo fundo Allocation, do qual a própria securitizadora era cotista única.
Desvios, Operação Circular e Denúncia à CVM
A apuração do órgão regulador do mercado de valores mobiliários detalhou o funcionamento do esquema ilegal e os desdobramentos operacionais:
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Injeção de Recursos de Obras: Quando gestoras de mercado identificaram as irregularidades e exigiram a devolução dos valores desviados, os diretores da Virgo retiraram R$ 55 milhões do próprio fundo de obras do empreendimento em Belo Horizonte para cobrir os saques, criando uma operação circular em que o título passou a ter crédito contra si mesmo (cerca de 40% da captação era fictícia).
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Provas e Dolo: Trocas de mensagens entre Ivo Kos e o então diretor de Investment Banking, Eduardo Levy, demonstraram ciência explícita da ilicitude. Em uma das comunicações, Kos afirmou estar “tomando um risco mamute” para obter comissões que poderiam superar R$ 17 milhões.
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Denúncia e Processo Sancionador: Em julho de 2025, Levy rompeu com a empresa e apresentou denúncia formal à CVM. Em julho deste ano, a CVM rejeitou propostas de acordo financeiro apresentadas pelos investigados por considerar os fatos de extrema gravidade, e encaminhou representação criminal ao Ministério Público Federal (MPF).
Prisão Preventiva por Violência Doméstica
Paralelamente às investigações no mercado financeiro, Ivo Kos permanece preso preventivamente em São Paulo:
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Agressão Grave: O empresário foi preso em flagrante em 14 de agosto após desferir socos e agredir a esposa, a cirurgiã-dentista Giullia Kos, de 27 anos, com um taco de beisebol no bairro de Pinheiros.
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Ação Penal: Em 18 de agosto, a Justiça tornou Kos réu por lesão corporal contra mulher e ameaça, indeferindo os pedidos de conversão para prisão domiciliar. O acusado cumpre a detenção preventiva no Centro de Detenção Provisória (CDP) II de Pinheiros.






