Brasília, 15/05/2025 – Em um depoimento acalorado à CPI das Bets nesta quarta-feira (14), o influenciador Rico Melquiades, com mais de 10 milhões de seguidores, negou veementemente ter utilizado contas de demonstração (“demos”) para promover casas de apostas. “Sei o que é conta demo, mas nunca usei. Sempre recebi logins de contas reais para divulgar”, afirmou aos senadores, defendendo sua conduta como transparente.
O ex-participante do reality show “A Fazenda” não poupou críticas ao tratamento dado pela comissão à influenciadora Virginia Fonseca, que depôs um dia antes. “A Virginia tirou foto com senador, foi tratada de forma diferente”, disparou, em referência ao clima mais descontraído da oitiva anterior. A observação encontrou eco na relatora Soraya Thronicke (Podemos-MS), que admitiu falhas na abordagem: “Achei que fosse só o jeito dela se vestir, mas havia um apelo muito jovial. Adolescentes não podem jogar, e vocês [influenciadores] atraem esse público”.
Investigações e Defesa
Melquiades, embaixador de uma plataforma que opera no Brasil via liminar judicial – sem autorização do Ministério da Fazenda –, enfrenta investigações da Polícia Civil de Alagoas por suposto incentivo a apostas ilegais. Na CPI, porém, garantiu não ter ligação com empresas irregulares e invocou sigilo processual para não detalhar aspectos da Operação Game Over 2, que bloqueou seus bens em janeiro.
Sobre os contratos com casas de apostas, foi enfático: “Meu pagamento era fixo, independente de ganhos ou perdas dos usuários. Nunca lucrei com a desgraça alheia”. O influenciador também negou ter conhecimento de seguidores que desenvolveram vício em jogos, alegando que sempre alertou sobre os riscos: “Nunca prometi riqueza, só mostrei que é um jogo de sorte”.
Contraste com Virginia e Críticas à CPI
A comparação com o depoimento de Virginia Fonseca dominou parte da sessão. Enquanto ela foi recebida com selfies e clima leve, Melquiades enfrentou perguntas mais duras. Thronicke reconheceu o desequilíbrio: “Ontem [com Virginia] vieram muitos parlamentares porque era uma pessoa famosa. Hoje, não. Mas estamos falando de um tema que destrói famílias”.
Ao final, o influenciador optou por silêncio em questões que poderiam incriminá-lo, como valores recebidos pelas promoções. A CPI segue investigando o setor e o papel dos digital influencers, com relatório final previsto para junho.
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