Dono de empresa fantasma é preso com R$ 1,25 mi no aeroporto

Investigadores descobrem que endereço registrado da empresa é uma parada de ônibus; suspeitas incluem lavagem de dinheiro e ligações políticas

Um empresário foi preso no Aeroporto Internacional de Brasília na última terça-feira (20) portando R$ 1,25 milhão em dinheiro vivo. Cesar de Jesus Glória Albuquerque, sócio da CJ Comércios e Serviços, está no centro de uma investigação que revela diversas inconsistências em seu negócio.

A empresa, que afirma atuar em mais de 40 segmentos diferentes – desde venda de alimentos até serviços funerários – apresenta características incomuns. Embora declare oficialmente ter entre 21 e 50 funcionários, a Polícia Federal não encontrou evidências de trabalhadores formalmente registrados.

A situação se torna mais suspeita quando se verifica o endereço cadastrado da empresa. O local indicado, na BR-174, km 179, em Presidente Figueiredo (AM), corresponde na realidade a uma simples parada de ônibus, conforme mostram imagens recentes do Google Maps. Não há qualquer estrutura comercial ou industrial visível no local.

A investigação revelou que a empresa, fundada em 2018 com capital declarado de 2,5 milhões e atua em setores que vão do comércio varejista de alimentos à manutenção de embarcações, construção civil, arquitetura, serviços funerários, turismo, veterinária e confecção de roupas, entre outros. 

As autoridades também identificaram conexões entre o empresário e figuras políticas locais, incluindo o vereador Lucas Moitinho, filho de outro empresário preso na mesma operação. Registros fotográficos comprovam a proximidade entre eles, levantando questões sobre possíveis favorecimentos em licitações públicas.

A Polícia Federal continua examinando a origem do dinheiro apreendido e a legitimidade dos contratos firmados pela empresa. As evidências sugerem que a CJ Comércios e Serviços poderia estar sendo usada como fachada para operações ilícitas, incluindo lavagem de dinheiro e desvio de recursos públicos.

A combinação de fatores – ausência de sede física real, diversidade improvável de atividades, discrepância no número de funcionários e relações políticas – aponta para um esquema complexo que está sendo cuidadosamente desmontado pelas autoridades.

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