PARÁ – Mestre Damasceno morreu nesta terça-feira (26), data do Dia Municipal do Carimbó, após internação em Belém para tratar câncer com metástase em pulmão, fígado e rins. O falecimento ocorreu pela manhã e foi confirmado pela família. O velório começou às 16h no Museu do Estado do Pará, com traslado previsto a Salvaterra para cerimônia local e sepultamento. O governo do Pará decretou luto oficial.
Damasceno nasceu na Comunidade Quilombola do Salvá, em Salvaterra, no Arquipélago do Marajó. Ele perdeu a visão aos 19 anos e seguiu carreira artística com forte produção de carimbó, toadas e poesia oral. O artista somou mais de 400 composições e seis álbuns gravados ao longo de décadas. A obra consolidou referências marajoaras e nortistas.
O artista criou o Búfalo-Bumbá de Salvaterra, um folguedo que dialoga com o auto do boi e símbolos do Marajó. A criação usa figurinos, toadas e encenação que misturam cultura quilombola e elementos amazônicos. O projeto reforçou a identidade local e circulou em eventos regionais.
Reconhecimentos recentes incluem a Ordem do Mérito Cultural do Ministério da Cultura. Em Belém, a Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes prestou homenagem em edição especial. Órgãos estaduais e municipais registraram notas de pesar e tributos.
No ciclo do Carnaval de 2025, uma composição assinada por Mestre Damasceno integrou o repertório que venceu o concurso de samba-enredo da Grande Rio, com a escola paraense Deixa Falar. A obra “A mina é cocoriô!” foi creditada a Damasceno e parceiros, com interpretação de Fábio Moreno. O enredo abordou referências paraenses e marajoaras.
A trajetória de Mestre Damasceno permanece associada a resistência cultural e valorização de matrizes quilombolas e indígenas. A produção artística influenciou coletivos, escolas e grupos de carimbó. O legado segue em acervos, gravações e festas populares do Pará e da Amazônia.
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