SAÚDE – Um balanço do World Trade Center Health Program aponta 48,5 mil pessoas certificadas com câncer associado aos atentados de 11 de setembro de 2001, com vínculo a exposição prolongada à nuvem de poeira, fumaça e combustíveis que recobriu a região do Ground Zero e o entorno, segundo os critérios clínicos do programa de saúde dos Estados Unidos. Os dados foram divulgados em junho de 2025 e incluem sobreviventes civis e profissionais que atuaram nos escombros em Nova York.
O universo certificado reúne 24,6 mil integrantes das equipes de resgate, limpeza e segurança pública e 23,9 mil sobreviventes civis expostos nos bairros próximos ao World Trade Center, com registro de doenças reconhecidas pela lista oficial do programa. O relatório indica que 65% dos inscritos apresentam ao menos uma condição relacionada aos eventos de 11 de setembro, o que confirma a persistência de efeitos de longo prazo na população exposta.
Os tumores mais frequentes entre os cadastrados incluem câncer de pele não melanoma, próstata, mama feminina, melanoma cutâneo, linfomas, tireoide e pulmão, com contagens expressas em milhares de casos certificados. O programa registrou 9,4 mil novos diagnósticos no último ano, em linha com a tendência de crescimento associada à maturação do período de latência e ao avanço do monitoramento.
Comparações com populações não expostas indicam aumento de risco entre socorristas e voluntários que trabalharam no Ground Zero, com excesso de casos em próstata, tireoide e melanoma em análises externas feitas por coortes acompanhadas ao longo de duas décadas. Uma meta-análise publicada no Journal of the National Cancer Institute reuniu 69 mil respondentes e estimou risco 19% maior para câncer de próstata e 81% maior para câncer de tireoide, com sinal também em melanoma, enquanto outra análise apontou 41% mais leucemia em comparação com grupos da mesma área sem contato com a poeira.
Especialistas consultados pelo programa e por publicações científicas atribuem a elevação do risco a múltiplos agentes presentes na poeira das torres, como asbestos, benzeno, sílica e chumbo, capazes de comprometer mecanismos de reparo celular e favorecer mutações. A caracterização do material acumulado nos escombros inclui partículas finas de cimento e produtos de combustão, que permaneceram em suspensão por semanas e alcançaram vias respiratórias e superfícies cutâneas dos grupos expostos.
Relatos clínicos destacam o aparecimento de tumores menos comuns, como mesotelioma e neoplasias de tecidos moles e do timo, compatíveis com exposição a asbestos e outros agentes mutagênicos detectados no ambiente. Pesquisas em modelos animais reforçam a associação ao mostrarem inflamação aumentada e ativação de genes ligados à proliferação celular após contato com poeira coletada no WTC, com evidências de mudanças sistêmicas em vias pró-oncogênicas.
O programa de saúde instituído pelo James Zadroga 9/11 Health and Compensation Act assegura atendimento, certificação de condições relacionadas e financiamento de pesquisa, com funcionamento previsto até 2090. A política pública inclui rede de centros clínicos e protocolos de vigilância para diagnóstico, tratamento e acompanhamento dos participantes com doenças reconhecidas na lista oficial.
Os registros do programa também contabilizam condições respiratórias, gastrointestinais e de saúde mental com alta prevalência entre expostos, como rinossinusite crônica, refluxo gastroesofágico, asma e transtorno de estresse pós-traumático, com dezenas de milhares de diagnósticos. Esses achados sustentam a continuidade do monitoramento em longo prazo e a necessidade de acesso a serviços especializados entre sobreviventes civis e respondentes.
O conjunto de evidências se formou a partir de dados clínicos, certificações de condições e estudos com controles populacionais, o que ampliou a compreensão sobre o impacto da exposição a poeira e fumaça no risco de câncer e de outras doenças crônicas. O objetivo declarado do programa consiste em reduzir o tempo até o diagnóstico, orientar terapias adequadas e apoiar a investigação de mecanismos biológicos envolvidos nos desfechos relacionados ao 11 de setembro.
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