Manaus – Moradores de uma área atingida por alagamentos em Manaus voltaram a registrar prejuízos após as fortes chuvas que atingiram a capital nesta semana. A água invadiu várias residências, deixando lama, móveis danificados e famílias tentando recuperar o que restou dentro de casa. A situação se repete em um contexto de temporal que deixou ruas e avenidas alagadas, com registro de cerca de 160 milímetros de chuva em áreas da zona norte da cidade.
Durante a visita ao local, moradores mostraram casas ainda com marcas da água nas paredes, objetos espalhados e materiais em estado avançado de deterioração. Em alguns pontos, o nível da água demorou a baixar, e famílias permaneceram acordadas durante a noite, fazendo a limpeza e o recolhimento de objetos que ainda pudessem ser reaproveitados. A situação é descrita como uma das mais graves desde que muitos moradores se mudaram para a região, com o medo de que a mesma sequência de danos continue se repetindo a cada episódio de chuva forte.
Um dos casos registrados é o da moradora Alessandra, que teve a casa tomada pela água e perdeu parte dos móveis e eletrodomésticos. Segundo ela, o alagamento foi o mais intenso vivido no imóvel desde que o adquiriu. “Eu comprei a casa aqui e disseram que não alagava. Agora, no tempo de chuva, a água entra toda vez”, relatou. Alessandra afirmou que passou recentemente por uma cirurgia, o que dificultou o deslocamento de móveis mais pesados, exigindo ajuda do filho e de vizinhos para tentar salvar alguns pertences.
Outro relato é o da moradora Rosanina, que mora na região há mais de duas décadas e também teve prejuízos importantes. A geladeira e outros equipamentos foram danificados depois de permanecerem submersos durante o período de enchente. “Antes não alagava tanto, mas agora a água sobe e a gente acaba perdendo nossas coisas”, contou. A situação é atribuída pelos moradores ao transbordamento de um igarapé localizado atrás da área onde vivem diversas famílias, o que faz a água avançar sobre as ruas e invade as casas sempre que chove com intensidade.
Moradores afirmam que pedem, há anos, por obras de drenagem e por intervenções estruturais para controlar o fluxo do igarapé e evitar novas enchentes. “A gente trabalha e luta, mas hoje perdemos tudo por causa dessa água”, disse um dos moradores, reforçando a necessidade de ações além de auxílios temporários. Parte das famílias precisou sair de casa temporariamente e buscar abrigo com parentes ou vizinhos enquanto limpam e avaliam o que pode ser recuperado, criando uma rotina de mobilização coletiva entre quem compartilha espaço e utensílios.
Além dos danos materiais, há preocupação com riscos à saúde, como infecções causadas pela água suja e exposição prolongada à humidade. Diante disso, os moradores pedem que autoridades, tanto municipais quanto estaduais, visitem a área, monitorem a situação e implantee melhores sistemas de drenagem, incluindo limpeza periódica de igarapés, ampliação de galerias pluviais e ações de prevenção em áreas de ocupação irregular. “Eu não quero só auxílio de aluguel. Eu queria uma moradia melhor para viver”, afirmou uma moradora, resumindo o desejo de segurança, dignidade e proteção contra as repetidas enchentes que invadem suas casas todos os anos.





