AMAZONAS – Uma influenciadora digital foi submetida a castigo por integrantes de facção em um suposto “tribunal do crime” após agredir uma adolescente apontada como trombadinha que teria roubado o celular dela, em episódio registrado em comunidade sob domínio de criminosos, em data não informada pelo site, em local não detalhado. A jovem aparece em vídeos primeiro batendo na suspeita de furto e depois sendo punida pelos traficantes. As imagens circulam em redes sociais e em sites que reúnem registros de violência ligados a grupos criminosos.
O caso começou quando a influenciadora teve o celular levado por uma adolescente acusada de pequenos furtos na região. Em gravações divulgadas, a influenciadora encontra a garota e, diante de outras pessoas, passa a agredi-la, com tapas e puxões, e a exigir a devolução do aparelho. O vídeo mostra a trombadinha chorando e tentando se defender, enquanto a influenciadora insiste nas agressões e xingamentos.
Após a divulgação dessas imagens, integrantes de facção que controlam a área teriam considerado que a influenciadora “passou dos limites” ao aplicar castigo por conta própria, sem autorização do grupo. Em comunidades dominadas por facções, decisões sobre punições costumam passar por membros armados, em práticas conhecidas como “tribunal do crime”. A reação foi organizar um castigo contra a própria influenciadora, também registrado em vídeo.
Outro vídeo mostra a influenciadora sentada ou ajoelhada, cercada por homens encapuzados ou com o rosto coberto, que a questionam sobre as agressões à trombadinha. Ela admite que bateu na adolescente e tenta se explicar, enquanto ouve reprimendas dos integrantes da facção. Na sequência, um dos homens passa a desferir pauladas e golpes contra a influenciadora, em castigo físico típico aplicado por esses grupos.
O vídeo registra a influenciadora gritando e pedindo para que as agressões parem. Os agressores afirmam que ela cometeu erro ao “bater sem autorização” e que isso não poderia se repetir. Em determinados momentos, eles reforçam que, naquela área, apenas o grupo decide quem deve ser punido e de que forma. As imagens reforçam o controle exercido por facções sobre conflitos e ocorrências locais.
Não há, nos conteúdos acessíveis, identificação do nome completo da influenciadora nem da adolescente envolvida no furto. Também não há indicação clara se o caso ocorreu no Rio de Janeiro ou em outra região sob domínio de facções, embora o padrão de atuação descrito seja semelhante ao de comunidades controladas por tráfico em grandes centros. Os vídeos aparecem acompanhados de comentários que tratam o episódio como exemplo de “justiça” aplicada pelos criminosos contra quem age “por conta própria”.
O episódio ilustra duas camadas de violência: a primeira, quando a influenciadora agride a adolescente suspeita de furto; a segunda, quando passa a ser alvo de agressões e humilhação por parte da facção. Em situações assim, não há registro formal de investigação policial nas fontes consultadas, já que os vídeos circulam em canais não oficiais, sem indicação de boletim de ocorrência ou atuação direta do Estado. A prática de “tribunais do crime” contraria a legislação brasileira e configura crime de tortura, lesão corporal e associação criminosa, entre outros enquadramentos possíveis.





