AMAZONAS – A Polícia Militar do Amazonas (PMAM) apreendeu 60 quilos de pasta-base de cocaína escondidos em um motor elétrico e caixas de som durante operação na Base Arpão 2 na noite de segunda-feira (23), em ferry boat que fazia o percurso de Tabatinga, a 1.108 km de Manaus, até a capital amazonense. A ação ocorreu sob coordenação da Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM) e retirou de circulação entorpecentes avaliados em milhões de reais no mercado ilícito, com o cão policial Delta sinalizando a presença da droga no convés inferior da embarcação durante fiscalização de rotina contra o narcotráfico fluvial. A operação aconteceu nesta semana no rio Solimões, rota comum para transporte de drogas da tríplice fronteira.
Policiais militares abordaram o ferry boat por volta das 22h e iniciaram buscas minuciosas após o faro do cão Delta indicar compartimentos suspeitos, localizando primeiro um bloco maciço de cocaína dentro do motor elétrico desmontado e, em sequência, 15 tabletes da mesma substância prensados em duas caixas de som amplificadores no porão de cargas. A embarcação transportava passageiros e mercadorias legais da fronteira com Peru e Colômbia para Manaus, mas adaptações recentes em equipamentos elétricos levantaram suspeitas imediatas durante a vistoria técnica. Nenhuma prisão em flagrante ocorreu no momento, pois tripulação e passageiros negaram conhecimento da carga, mas todos prestaram depoimento na delegacia especializada.
A Base Arpão 2, instalada em área estratégica do rio Solimões próximo a Coari, concentra operações contra o tráfico desde 2025 e já registrou apreensões semelhantes, como 70 kg de drogas em tubos de PVC no ferry boat Esmeralda dias antes, com um idoso de 81 anos detido na ocasião. Autoridades estimam que o material apreendido evitou a distribuição de milhares de doses em Manaus e outras capitais, considerando que 1 kg de pasta-base rende cerca de 1.000 papelotes no varejo local. Investigadores analisam imagens de câmeras internas do barco e rastreiam fornecedores na região de Tabatinga, onde facções utilizam rotas aquáticas para burlar controles terrestres.
O capitão Tiago Ribeiro, coordenador da Base Arpão, destacou em nota oficial que ações conjuntas com o Batalhão Fluvial e Rocam intensificaram fiscalizações em 2026, resultando em queda de 20% no fluxo de drogas por ferry boats na Amazônia. A cocaína viajava em embalagens vedadas contra umidade do rio, técnica comum para preservar a qualidade em longas viagens de até 48 horas, e peças como motores e caixas de som servem de disfarce por simularem manutenção comum em embarcações de passageiros. Peritos da polícia técnica coletaram amostras para laudo conclusivo sobre pureza e origem, enquanto o material segue sob custódia para destruição judicial.
Ferry boats como o abordado transportam diariamente centenas de pessoas entre interior e Manaus, com bilhetes a R$ 150 por trecho, mas viraram alvo preferencial de traficantes devido ao volume de cargas permitidas sem raio-X obrigatório. Autoridades recomendam denúncias anônimas pelo 181 Disque Denúncia, que subsidiaram essa operação a partir de informações prévias sobre movimentações suspeitas em Tabatinga. O Amazonas registra média de 500 kg de cocaína apreendida por mês em rios, com destino final a São Paulo e Europa via portos fluviais.
A PMAM planeja reforçar patrulhas com drones e embarcações rápidas na rota Tabatinga-Manaus nos próximos meses, após sequência de golpes ao narcotráfico como a prisão de colombianos com 1 tonelada de drogas em fevereiro. O caso reforça a vulnerabilidade das vias aquáticas na Amazônia, onde 80% das apreensões de entorpecentes ocorrem em ferry boats ou lanchas rápidas. População ribeirinha apoia as ações, que reduzem violência ligada ao tráfico em comunidades isoladas.





