Coletiva revela passo a passo do crime, da fuga e da prisão de pai que matou filho em Manaus

Conforme os relatos apresentados, Fernando Batista foi preso na madrugada deste sábado em uma área de mata situada atrás do cemitério Parque Tarumã, nas proximidades do bairro planejado Parque Mosaico, na Zona Oeste.

MANAUS – Os principais pontos sobre o homicídio triplamente qualificado cometido por Fernando Batista de Melo, de 48 anos, contra o próprio filho foram apresentados em coletiva de imprensa na tarde deste sábado (24), em Manaus. Delegados da Polícia Civil e oficiais da Polícia Militar explicaram como o crime ocorreu, como se deu a fuga do autor e quais ações levaram à prisão, após mais de 24 horas de buscas, depois do assassinato da criança no bairro Cidade de Deus, Zona Norte da capital.

Conforme os relatos apresentados, Fernando Batista foi preso na madrugada deste sábado em uma área de mata situada atrás do cemitério Parque Tarumã, nas proximidades do bairro planejado Parque Mosaico, na Zona Oeste. Ele foi localizado após acender uma fogueira, o que chamou a atenção de policiais da 16ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom), que patrulhavam a região. Ao entrar na mata, a equipe encontrou o homem escondido em um buraco cavado por ele no terreno, onde afirmou ter permanecido em silêncio durante parte do período em que esteve foragido.

O capitão Gamenha e os soldados Allan Igor e França foram os responsáveis pela abordagem e prisão do suspeito. No momento do contato com os policiais, Fernando tentou se passar por morador de rua, mas não convenceu a equipe e recebeu voz de prisão. Durante a coletiva, o delegado Adanor Porto, da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), destacou que parte do sangue encontrado no banheiro da casa onde a criança foi morta era do próprio Fernando, que se cortou nos dois pulsos antes de fugir em uma motocicleta.

Ainda conforme o delegado, Fernando Batista realizou uma videochamada internacional para um filho maior de idade que mora no exterior. Nessa ligação, confessou o assassinato do menino, mostrou os cortes superficiais nos pulsos e declarou que tiraria a própria vida como forma de pagar pelo crime. As autoridades, porém, concluíram que as automutilações não representaram risco concreto de morte e que a atitude se encaixa em tentativa de encenação, já que ele não se entregou e permaneceu em fuga.

Na coletiva, o delegado-geral Bruno Fraga explicou que, em um primeiro momento, a polícia considerou a possibilidade de Fernando ter se suicidado dentro da área de mata, hipótese cogitada devido à gravidade do crime e à fuga prolongada. Essa linha de trabalho começou a mudar na tarde de sexta-feira, quando um grupo de jovens que tomava banho em um igarapé da mesma região afirmou ter visto o suspeito. A partir desse relato, as equipes intensificaram as buscas com uso de drones termais e cães farejadores do CIPcães, reforçando o cerco no entorno do Parque Mosaico.

De acordo com os delegados que participaram da coletiva, Fernando relatou que, em determinado momento, ouviu viaturas e agentes passarem muito perto de onde permanecia escondido, mas não foi localizado por causa da pouca iluminação na mata. Na visão das autoridades, o comportamento do acusado, a tentativa de disfarce e o tempo de fuga indicam ausência de arrependimento. Para os investigadores, se tivesse intenção real de se matar ou se entregar, ele não teria prolongado a evasão durante mais de um dia.

A polícia esclareceu ainda que o crime ocorreu na noite da última quinta-feira, dentro do imóvel onde a criança morava com a mãe, no bairro Cidade de Deus. O laudo do Instituto Médico Legal confirmou que o menino morreu por asfixia mecânica. As investigações apontam que o homicídio foi motivado por desentendimentos relacionados à cobrança de pensão alimentícia, feita pela mãe da vítima, de quem Fernando estava separado havia mais de três meses e que não aceitava reatar o relacionamento.

O delegado Adanor Porto informou que Fernando Batista de Melo responderá por homicídio triplamente qualificado, por motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima, com agravante por se tratar de uma criança. Após a prisão, ele foi levado para a DEHS, onde permaneceu calmo e em silêncio durante parte do depoimento, conforme relataram as autoridades. Em seguida, passou por audiência de custódia, teve a prisão preventiva decretada e ficará à disposição da Justiça Estadual, enquanto o inquérito segue com a juntada de laudos, depoimentos e demais provas colhidas durante as diligências.

Tags:
Compartilhar Post: