Indústria do AM lança ‘Agenda ZFM 2050’ em Brasília e mira propostas de presidenciáveis

Documento construído por Fieam e Cieam traça diretrizes de longo prazo para inovação, bioeconomia e logística na Amazônia Ocidental; em 2025, Polo Industrial faturou US$ 41 bilhões
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BRASÍLIA — A Federação e o Centro das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam e Cieam) lançaram oficial e conjuntamente, nesta terça-feira (9), na sede da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília, a Agenda Estratégica “Zona Franca de Manaus 2050”. O projeto consiste em um plano de desenvolvimento estruturado a longo prazo que será entregue a todos os pré-candidatos à Presidência da República nas eleições de 2026, com o objetivo de blindar o modelo e pautar as políticas públicas nacionais para a Amazônia Ocidental nas próximas décadas.

O painel de apresentação técnica e política reuniu lideranças do setor produtivo nacional, empresários do Polo Industrial de Manaus (PIM), parlamentares federais e pesquisadores acadêmicos da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Eixos prioritários da Agenda ZFM 2050

O plano estratégico visa converter a região amazônica em uma referência internacional de sustentabilidade aliada à alta tecnologia. O documento foca em soluções estruturais divididas em seis pilares fundamentais:

  • Nova Governança: Reformulação administrativa e modernização do modelo de gestão do programa ZFM.

  • CT&I: Ampliação maciça de aportes financeiros em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação.

  • Infraestrutura Conectiva: Expansão e modernização das redes de logística física e infraestrutura digital na floresta.

  • Educação Profissional: Fortalecimento do ensino técnico voltado às demandas de mercado da nova economia.

  • Fundos de Sustentabilidade: Regulamentação de ativos financeiros verdes direcionados à preservação.

  • Bioeconomia: Estímulo à exploração comercial inteligente e rastreável da biodiversidade local.

Defesa do modelo: Compensação e resultados econômicos

O presidente da Fieam e vice-presidente da CNI, Antônio Silva, abriu a conferência rebatendo as críticas históricas de setores do Sudeste em relação à renúncia fiscal do modelo. Silva apresentou indicadores de desempenho consolidados no fechamento do ano anterior para demonstrar o alcance nacional dos resultados do polo de Manaus.

Indicadores Econômicos e Sociais do PIM (Fechamento 2025)
├── 💰 Faturamento Anual ──> Superior a US$ 41 bilhões
├── 💼 Empregos Diretos ───> Mais de 132 mil postos de trabalho formalizados
└── 🔄 Empregos Indiretos ─> Aproximadamente 600 mil vagas geradas na cadeia produtiva

“A Zona Franca de Manaus não representa um prejuízo para o Brasil. Os incentivos não constituem um privilégio. São mecanismos constitucionalmente garantidos para equilibrar custos logísticos, geográficos e estruturais que simplesmente não existem em outras regiões do país” argumentou Antônio Silva.

O dirigente patronal ressaltou ainda o papel ecológico do arranjo industrial, que, ao concentrar a atividade socioeconômica na capital, funcionou como barreira econômica para manter preservados mais de 97% da cobertura florestal nativa do estado do Amazonas.

Geopolítica, disparidade e custos logísticos em debate

Durante os debates técnicos, os palestrantes reforçaram a necessidade de tratar o modelo industrial como uma política contínua de Estado, blindada de oscilações de governos partidários.

  • Risco de fuga de capital: O deputado federal Capitão Alberto Neto alertou que a eventual perda de competitividade fiscal não beneficiaria outros estados brasileiros. “Se a gente perder a indústria da Zona Franca de Manaus, ela não vai para São Paulo. Ela vai para o México ou para o Paraguai”, alertou o parlamentar, que defendeu a dragagem e manutenção permanente das hidrovias.

  • Gargalo financeiro dos rios: O diretor da Super Terminais, Marcelo Di Gregorio, lembrou os prejuízos bilionários sofridos pela indústria nos últimos anos em decorrência das secas severas e cobrou previsibilidade orçamentária para a navegabilidade dos rios.

  • O custo da distância: Evidenciando a distorção logística regional, o superintendente da Federação das Indústrias de Rondônia (Fiero), Gilberto Baptista, apresentou um dado comparativo sobre o frete na região: levar um contêiner de Porto Velho a Manaus por via fluvial custa atualmente o mesmo montante financeiro que transportá-lo em uma rota marítima internacional de Manaus até Xangai, na China.

A ex-superintendente da Suframa, Rebecca Garcia, e o economista Márcio Holland (FGV) concluíram as exposições destacando que o Brasil falhou na tese econômica de convergência natural de renda entre as regiões, o que torna obrigatória a manutenção de políticas afirmativas regionais para conter o avanço das desigualdades.

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