Justiça condena réus a mais de 60 e 17 anos de prisão por assassinato de jovem grávida em Manaus

Sentença do 'Caso Débora' foi proferida na madrugada desta segunda-feira (1º) após os cinco dias de julgamento no Fórum Ministro Henoch Reis; crimes ocorreram em julho de 2023

 

A Justiça do Amazonas condenou, na madrugada desta segunda-feira (1º), Gil Romero Machado Batista e José Nilson Azevedo da Silva pelo assassinato da jovem grávida Débora da Silva Alves, de 18 anos. O julgamento, que teve a duração de cinco dias, ocorreu no Fórum Ministro Henoch Reis, em Manaus.

A decisão atendeu à denúncia oferecida pelo Ministério Público do Amazonas (MPAM), sustentada na acusação pelos promotores de Justiça Timóteo Ágabo Pacheco de Almeida e André Epifânio Martins. O juiz do caso considerou que a materialidade e a autoria dos crimes foram devidamente comprovadas por meio de laudos periciais, relatórios de investigação, depoimentos de testemunhas, imagens de câmeras de segurança e dados de rastreamento, além das confissões prévias dos réus.

Penas e qualificadoras aplicadas

As punições individuais foram determinadas pelo grau de participação e pelo conjunto de crimes atribuídos a cada um dos envolvidos:

 Gil Romero Machado Batista: Apontado como o mentor intelectual e executor principal, foi condenado a 63 anos, 7 meses e 19 dias de prisão em regime fechado. Ele responderá pelos crimes de homicídio qualificado, feminicídio, aborto provocado por terceiro e ocultação de cadáver.

 José Nilson Azevedo da Silva: Condenado a 17 anos e 8 meses de prisão. Os jurados decidiram por condená-lo por homicídio qualificado por motivo torpe, mas optaram por afastar outras duas qualificadoras e a acusação de feminicídio que pesavam contra ele.

Ambos os réus já cumpriam prisão preventiva desde a época das investigações e não poderão recorrer em liberdade.

Relembre o crime e as investigações

O caso teve início em 29 de julho de 2023, data em que Débora, grávida de oito meses, desapareceu após sair de casa para se encontrar com Gil Romero. Segundo a polícia, o homem mantinha uma relação extraconjugal com a jovem, não aceitava a gestação e havia prometido entregar a ela uma quantia em dinheiro para comprar o berço do bebê para atraí-la.

De acordo com as investigações da Polícia Civil do Amazonas, o homicídio foi praticado nas instalações da Usina Termoelétrica Mauá 2, localizada na Zona Leste de Manaus. A jovem foi asfixiada e teve o corpo queimado. Na tentativa de ocultar as evidências físicas, um dos condenados retornou posteriormente ao local, extraiu o feto do ventre da vítima para jogá-lo em um rio da região e ateou fogo novamente no cadáver.

Após a localização do corpo na área de mata no bairro do Mauazinho, José Nilson foi preso em Manaus poucos dias depois. Gil Romero fugiu para o estado vizinho, mas acabou localizado e detido em 8 de agosto de 2023 no município de Curuá, no Pará, em uma ação conjunta entre as polícias civis dos dois estados.

Tags:
Compartilhar Post: