Manaus amplia radares, mas mortes no trânsito aumentam em 2026

Apesar da ativação de 51 novos equipamentos eletrônicos, capital registra 147 vítimas fatais e alta de 44% em acidentes com motos
investigacao-da-pf-relatorio-e

Manaus registrou 147 mortes em sinistros de trânsito entre janeiro e julho de 2026, representando uma alta de 2,08% em comparação ao mesmo período de 2025, quando foram contabilizados 144 óbitos. O mês de março foi o mais letal do ano, com 25 vítimas, seguido por maio (23), abril (22), janeiro, fevereiro e julho (21 cada) e junho (14). Em relação às modalidades, as colisões lideraram com 55 mortes, seguidas por atropelamentos (41), quedas de motocicleta (26) e choques contra objetos fixos (19). O número de mortes por quedas de motocicleta teve um salto de 44,4%. Além dos óbitos, a rede pública de saúde contabilizou mais de 17 mil atendimentos a feridos até o fim de junho.

A elevação nos índices ocorreu de forma paralela ao aumento da fiscalização eletrônica implementado pela Prefeitura de Manaus. Em fevereiro, 34 novos radares entraram em operação, enquanto em 13 de julho outros 17 equipamentos foram ativados nas zonas norte, sul, leste e oeste. Do total de mortes registradas nos primeiros sete meses do ano, aproximadamente 60% concentraram-se na zona leste, com 47 ocorrências, e na zona norte, com 41 registros.  

A eficácia do modelo adotado foi questionada por especialistas. Mário Ricardo, mestre em Engenharia e representante do Observatório Nacional de Segurança Viária no Amazonas, pontuou que a segurança viária exige ações preventivas prévias aos sinistros e propôs a criação de um Fórum de Debates sobre Mobilidade Urbana, além do projeto “Me Sinto Seguro”. O especialista defendeu a necessidade de utilizar o mapeamento estatístico para direcionar medidas específicas de engenharia de tráfego, educação e fiscalização pontual.  

No âmbito legislativo, a Câmara Municipal de Manaus aprovou o Projeto de Lei 296/2025, de autoria do vereador Paulo Tyrone, enviado para sanção do Executivo. A proposta estabelece normas de transparência para a fiscalização eletrônica na cidade, determinando a publicação dos locais de instalação dos equipamentos, o volume mensal de multas aplicadas por dispositivo, o percentual correspondente às autuações de cada radar e os estudos técnicos que fundamentam a operação das estruturas

Tags:
Compartilhar Post: