Manaus no trânsito: 200 mil carros novos por ano e transporte coletivo colapsado

Especialistas alertam para o risco de colapso do trânsito caso não haja medidas de gestão e investimento em transporte coletivo.

TRÂNSITO – Manaus soma cerca de 200 mil carros novos registrados a cada ano. O fenômeno transforma o cotidiano do trânsito e pressiona a estrutura viária da capital. O número de veículos na cidade ultrapassou, em abril de 2025, a marca de 1 milhão, segundo o Departamento Estadual de Trânsito do Amazonas1 (Detran-AM). Esse aumento acelerado impacta diretamente o serviço de transporte coletivo, que enfrenta dificuldades para atender à demanda da população.

A frota circulante, estimada em mais de 1.004.021 veículos, inclui cerca de 455 mil automóveis e quase 340 mil motocicletas. Esse avanço representa crescimento de 23% entre 2021 e 2025. Atualmente, Manaus registra média de 25,6 mortes no trânsito por mês, com motociclistas respondendo por quase metade das vítimas fatais em 2024. Mesmo com investimentos em obras viárias, como o Rapidão Rodoanel Metropolitano e novos corredores de tráfego, o excesso de carros particulares faz crescer a quantidade de congestionamentos em avenidas centrais, como Djalma Batista e Constantino Nery, principalmente nos horários de pico.

Segundo especialistas, o transporte público entra em colapso diante do fluxo intenso de veículos. A cidade opera cerca de 1.166 ônibus distribuídos em 218 linhas, mas apenas metade dessa frota oferece ar-condicionado, e o transporte coletivo atende apenas dois por cento do total de usuários durante os horários de pico. Empresas do setor enfrentam dívidas superiores a R$ 500 milhões e relatam dificuldades para renovar veículos e investir em melhorias de operação.

Para Manoel Paiva, especialista em mobilidade urbana, a falta de investimentos no transporte coletivo e a baixa qualidade das vias públicas alimentam o uso crescente do automóvel. Paiva alerta que, sem iniciativas para reordenar rotas, criar alternativas seguras para pedestres e ciclistas, e fiscalizar infrações, Manaus viverá o agravamento de acidentes, mortes no trânsito e congestionamentos. A projeção é de que, até 2030, motocicletas ultrapassem os automóveis como principal meio de transporte individual, diante da busca por alternativas mais econômicas e rápidas.

O crescimento da frota em Manaus indica que o sistema de transporte coletivo não tem conseguido responder às necessidades atuais. O aumento de veículos e o colapso do serviço afetam trabalhadores, estudantes e famílias que dependem de ônibus ou alternativos. Sem resposta adequada por parte do poder público, os riscos de incidentes e impacto urbano tendem a piorar nos próximos anos. Especialistas defendem investimentos em transporte coletivo, infraestrutura para ciclistas e revisão da política de mobilidade para mitigar a crise nas ruas da capital amazonense.

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